Lobos monstruosos e monitoramento 24h: como o Japão está enfrentando o problema com ursos

País asiático lida com alta no número de ataques dos animais selvagens contra humanos

Paulo Vito, da CNN Brasil*
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O Japão tem enfrentado um crescimento preocupante nos incidentes envolvendo ursos e humanos em seu território. Entre abril de 2025 e março de 2026, foram registradas 13 mortes e mais de 220 feridos pelos animais no país.

Em relação ao período anterior, que registrou três mortos e 82 feridos, o número aponta uma mudança na forma em que os ursos da região passaram a se relacionar com o ambiente e a busca por alimento.

Com as alterações climáticas, as frutas, vegetais e nozes que fazem parte da dieta dos ursos passaram a crescer mais tarde no outono do Hemisfério Norte, fazendo com que as espécies passassem a buscar alimento nos lixos que os humanos produzem.

Para a CNN, Liam Adcock, pesquisador de vida selvagem no Picchio Wildlife Research Center, em Nagano, informou que esse aumento nos encontros entre bichos selvagens e humanos acontece porque as terras agrícolas que antes funcionavam como fronteira entre a floresta e a cidade simplesmente deixaram de existir com o crescimento dos centros urbanos.

Atualmente, existem cerca de 57.000 ursos no Japão, sendo que, apenas em 2025, houve mais de 50.000 avistamentos desses animais registrados pelo país.

Soluções

O governo japonês tem classificado os encontros como “uma ameaça grave à segurança e à paz pública”, aumentando a flexibilização da caça a esses animais. O plano tem o intuito de diminuir a quantidade de ursos para entre 62% e 67% até 2030, por meio de um abate controlado.

A medida extrema existe já que os fogos de artifício que eram usados para espantá-los atualmente não têm mais tanta eficiência quanto antes.

Algumas regiões do país passaram a equipar florestas com uma inteligência artificial com monitoramento de movimento 24 horas que avisa moradores caso um urso invada uma região residencial. O sistema, da Hokuriku Electric Power Company em conjunto com a empresa de sistemas de comunicação Hokutsu, permite que autoridades tomem medidas para afastar esses ursos de possíveis áreas de risco para humanos.

Após um ataque de urso fatal na cidade de Hokkaido, o engenheiro Danyel Koca decidiu criar o Kumamap, um rastreador de incidentes com ursos, usando dados do governo local, notícias nacionais e relatórios comunitários verificados.

Outra medida mais tecnológica para atuar no controle da situação envolve o Monster Wolf, um robô animatrônico movido a energia solar em formato de um extinto lobo japonês que espantava ursos no passado. Pelo preço de US$ 4.000, é possível obter um desses animais para se precaver de um possível ataque em lavouras agrícolas do país.

Motohiro Miyasaka, diretor-gerente da Wolf Kamui Co., empresa que fabrica o robô, afirma que as vendas dobraram desde que os encontros com os animais se tornaram algo frequente no Japão. Atualmente, uma versão mini está em desenvolvimento pela empresa.

Apesar do advento da tecnologia, existe um movimento que defende técnicas mais tradicionais para espantar os ursos das regiões: o uso de cães de caça de verdade. Segundo Adcock, o Japão criava cães-de-urso-da-carélia finlandeses para afastarem os animais de áreas residenciais por meio de latidos sem machucá-los.

*Com informações de Salome Grouard da CNN