Novo estudo sugere que padrões vocais de um indivíduo podem determinar como ele está envelhecendo

Desenvolvimento de um "relógio de fala" por pesquisadores estima o envelhecimento biológico e prediz o risco de doenças neurodegenerativas

Giovanna Csiszar, colaboração para a CNN Brasil
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Escutar a própria voz em gravações de áudio pode ser vergonhoso, já que não temos a mesma percepção de som das outras pessoas. Mas um novo estudo aponta que características linguísticas e auditivas podem determinar a qualidade e a velocidade do envelhecimento de um indivíduo.

Publicada na revista Science Advances, a pesquisa explica o desenvolvimento de um modelo de inteligência artificial chamado relógio da fala, que, ao avaliar padrões vocais, consegue estimar o envelhecimento biológico e predizer o risco de doenças neurodegenerativas.

O estudo analisou quase 3 mil indivíduos em cinco países da América Latina, abrangendo adultos saudáveis ​​e pessoas com comprometimento cognitivo leve, doença de Alzheimer e diferentes tipos de demência frontotemporal (pessoas que não compreendem a linguagem).

Nesses grupos, o relógio de fala investigou como a voz soa, a frequência, as pausas entre palavras, a coerência semântica e a modulação emocional.

Resultados da pesquisa

De acordo com a Trinity College Dublin, pessoas cuja fala aparenta ser mais velha do que o esperado para sua idade cronológica também apresentaram sinais de envelhecimento acelerado em diversos sistemas biológicos e clínicos, como condições financeiras, insegurança alimentar, acesso à saúde e experiências da infância.

O relógio da fala também diferenciou indivíduos saudáveis ​​de pessoas com demência. Os participantes saudáveis ​​apresentaram as menores diferenças de idade na fala, enquanto diferenças progressivamente maiores foram observadas em pacientes com doença de Alzheimer e em formas de demência frontotemporal.

Os pesquisadores enfatizam, no entanto, que o relógio ainda não é um teste garantido que pode diagnosticar demência. O estudo foi principalmente transversal, o que significa que não pode afirmar se um perfil de fala com aparência mais envelhecida prevê quem desenvolverá posteriormente declínio cognitivo ou demência.