Síndrome do tigre: o distúrbio que transforma gatos entediados em "feras agressivas"

Termo popularizado na França descreve gatos que atacam humanos aparentemente sem motivo

Juliana Santos, colaboração para a CNN Brasil
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O gato está tranquilo, deitado no colo ou recebendo carinho quando, de repente, tudo muda. Em poucos segundos, ele ataca, sai correndo, e você acaba surpreso e confuso, com uma mordida ou arranhão para contar a história.

Embora possa parecer aleatório, um gato não ataca do nada: há sinais sutis e justificativas comuns para entender esse comportamento.

A síndrome

A "síndrome do tigre" é um termo que nasceu na França e, por mais que não seja um diagnóstico, ajuda a descrever o conjunto de atitudes problemáticas de gatos que podem ser lidas como agressividade ou medo. Até animais dóceis e apegados aos humanos podem ser afetados pela síndrome do tigre, o que torna o quadro ainda mais doloroso para tutores que se sentem traídos.

Além de oferecer perigo à integridade física e a saúde do dono, este comportamento é estressante para todos os envolvidos. Mas há formas de ajudar um gato a superar a síndrome e devolver a paz ao lar.

Por que meu gato me atacou do nada?

Segundo um estudo de 2019 no Journal of Feline Medicine and Surgery, episódios de violência repentina contra humanos raramente têm uma só explicação. As causas da "síndrome do tigre" são muitas, e é necessário acompanhar de perto a rotina do seu gato e conversar com veterinários especialistas em felinos para chegar à melhor explicação.

  • Stress: gatos podem se estressar com situações pontuais, ou apresentar stress crônico causado por condições inadequadas no ambiente ou alimentação. A competição por recursos, como quando dois ou mais gatos disputam espaço, comida ou caixas de areia, é uma fonte comum de stress.
  • Dor: felinos são mestres em esconder sinais de dor. Diferentes dos cachorros, eles raramente vocalizam ou expressam para o dono que estão em sofrimento: é necessário procurar sinais como postura curvada, orelhas viradas para fora, olhos cerrados, redução no apetite ou isolamento.
  • Estímulo em excesso: quando o instinto de caça ou caçador dos gatos é ativado com muita frequência ou por longos períodos sem uma recompensa ou encerramento claro, esta energia pode ser canalizada para comportamentos destrutivos – atacar humanos e animais, arranhar ou morder objetos ou lamber-se até causar feridas.
  • Tédio: o extremo oposto dos estímulos excessivos também pode desencadear a "síndrome do tigre". É importante para o gato ter momentos e atividades seguras para gastar energia: brincadeiras, atividade física e enriquecimento ambiental são algumas das soluções.

Como acalmar um gato com síndrome do tigre

Após analisar a rotina e o comportamento do pet e identificar possíveis problemas, consulte um veterinário sobre suas preocupações. Ele pode solicitar exames, visitar o gato em seu próprio ambiente e fazer perguntas para investigar o comportamento e chegar a um protocolo de manejo individual e efetivo.

O "tratamento" da síndrome do tigre varia de acordo com as causas. Uma mudança na dieta ou a prescrição de medicamentos podem ser o caminho; outros casos podem se beneficiar da introdução de difusores calmantes, florais ou até novos recursos no ambiente, de brinquedos a prateleiras para incentivar o exercício.

Em todas as situações, o momento requer empatia com o animal. Ataques repentinos podem deixar o tutor aflito e enfraquecer os laços com o pet, mas são, no fundo, um pedido de ajuda.