Ações da Burberry caem depois de CEO anunciar troca da empresa pela rival
Marco Gobbetti deixará a grife britânica de luxo no final deste ano para retornar à Itália, onde chefiará a Salvatore Ferragamo

Marco Gobbetti, que deu início a uma reviravolta na Burberry, deixará a grife britânica de luxo no final deste ano para retornar à Itália, onde chefiará a rival Salvatore Ferragamo.
A Burberry (BBRYF) anunciou o pedido de saída de Gobbetti em uma declaração na segunda-feira (28), o que fez com que o preço das ações da marca caísse quase 8% em Londres.
“Marco, que liderou a transformação da marca e dos negócios da Burberry, deixará o cargo depois de quase cinco anos na empresa para aproveitar outra oportunidade que lhe permitirá retornar à Itália e ficar mais perto de sua família”, escreveu a Burberry.
Gobbetti decidiu reposicionar a Burberry firmemente na categoria de luxo após uma passagem de 13 anos na gigante francesa de bens de luxo LVMH (LVMHF) como CEO da Givenchy e Celine. Até sexta-feira (25), as ações haviam registrado uma subida de 35% desde a chegada do executivo, em julho de 2017.
Conhecido por sua padronização em xadrez e pelos casacos beges – que refletem a crença do fundador Thomas Burberry que as roupas deveriam proteger as pessoas do clima britânico – a marca de 165 anos equipou os exploradores árticos antes de se tornar uma dos produtos de exportação mais conhecidos da Grã-Bretanha.
“A Burberry está em uma posição muito melhor hoje do que quando Marco assumiu sua condução”, afirmou o analista sênior de pesquisa da Bernstein, Luca Solca, em nota a clientes na segunda-feira. “Ainda assim, a magnitude dos problemas em questão não ofereceu uma chance para o sucesso estrondoso que alguns esperavam”, acrescentou.Parte inferior do formulário
A saída de Gobbetti na metade da reviravolta da empresa levanta questões sobre se a marca poderia estar em outra redefinição estratégica sob o comando de um novo CEO, segundo Solca disse ao CNN Business.
“Acho que os investidores também acreditam que, se Marco estivesse muito seguro do sucesso da Burberry, talvez não fosse embora”, acrescentou o analista, ressaltando que a Ferragamo é uma “empresa muito menor”. Ele disse que os investidores estão reduzindo suas participações enquanto aguardam mais esclarecimentos sobre o novo CEO e seus planos.
Gerry Murphy, o presidente da empresa, disse que o conselho ficou “naturalmente decepcionado” com a decisão de Gobbetti, mas entendeu “seu desejo de retornar à Itália depois de quase 20 anos no exterior”.
Gobbetti causou sensação quando recrutou o ex-diretor artístico da Givenchy, Riccardo Tisci, para ser o diretor de criação da Burberry em 2018. O italiano substituiu Christopher Bailey após seus 17 anos na empresa e foi contratado para revigorar a marca para um consumidor mais jovem e diversificado.
“A Burberry era um pouco tediosa antes de Gobbetti entrar”, disse Solca. “Precisava de uma lufada de ar fresco”. Para o analista, a ambição de Gobbetti de tornar a Burberry relevante em artigos de couro e competir com marcas de luxo como Gucci, Prada e Louis Vuitton ainda é um trabalho em andamento.
Ao comentar sua saída, no mesmo comunicado, Gobbetti disse: “Com a Burberry revigorada e firmemente estabelecida em um caminho de forte crescimento, sinto que agora é o momento certo para renunciar”.
Em um anúncio separado, a Salvatore Ferragamo confirmou que Gobbetti se tornará o CEO da empresa “assim que for liberado de suas obrigações contratuais” na Burberry. As ações da Ferragamo subiram nas negociações da manhã do dia 28 em Milão, mas caíram 1,8% à tarde.
A nova missão de Gobbetti é “outro desafio monumental”, de acordo com Solca. “A marca precisa de um rejuvenescimento completo de seus fundamentos de marketing: produto e comunicação em primeiro lugar”, disse ele.
(Texto traduzido. Leia o original em inglês aqui)