Kepler Weber mantém negociações com GPT e responde a minoritários

Companhia afirma que ainda não há acordo vinculante para a combinação de negócios com a norte-americana GPT e reforça compromisso com tratamento equitativo aos acionistas

Fernanda Pressinott, da CNN Brasil, São Paulo
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A Kepler Weber, fabricante de silos e soluções pós-colheita, informou ao mercado que segue em negociação com a americana GPT (Grain & Protein Technologies) e sua controlada GSI Brasil para uma potencial combinação de negócios envolvendo suas operações no segmento de armazenagem de grãos.

Em comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a companhia destacou que não há, até o momento, qualquer documento vinculante assinado que formalize a operação.

O esclarecimento ocorre depois que um grupo de acionistas minoritários enviou uma solicitação formal ao Conselho Fiscal da companhia pedindo uma análise detalhada e emissão de parecer sobre a proposta.

O pedido, assinado por representantes do grupo Avantgarde Asset Management, que detém 85,6 mil ações, equivalentes a 0,05% do capital social ou free float da empresa, solicita que o conselho examine pontos relacionados à governança corporativa, preço justo e potenciais conflitos de interesse.

Entre os questionamentos apresentados estão a conformidade da transação com o estatuto social da companhia, o regulamento do Novo Mercado da B3 e a política de transações com partes relacionadas.

Eles também solicitam uma avaliação da relação de troca proposta, considerando múltiplos de mercado e critérios de preço justo, incluindo eventual laudo de avaliação independente. Ainda em novembro, a Kepler Weber divulgou um preço indicativo de R$ 11 por ação.

No comunicado enviado nesta sexta-feira (26) à CVM, a Kepler confirma o recebimento do comunicado desses minoritários e afirma que seus órgãos societários estão incumbidos exclusivamente da análise da proposta apresentada pela GPT ao Conselho de Administração, ressaltando que não compete à companhia avaliar eventuais negociações privadas entre acionistas e a empresa americana.

A Kepler também reforçou seu compromisso em assegurar tratamento equitativo a todos os acionistas eventualmente envolvidos na transação.

No dia 15 de dezembro, a Kepler Weber informou à CVM a prorrogação do prazo de exclusividade para negociação da potencial combinação de negócios com a GPT e a GSI Brasil. O novo prazo foi estendido por mais 30 dias, até 15 de fevereiro de 2026.

Entenda a proposta

Em 4 de novembro, a Kepler Weber recebeu uma proposta de não vinculante da GPT, controlada pelo fundo de private equity American Industrial Partners (AIP) em que os acionistas podem optar por dois caminhos de saída das ações KEPL3 antes da incorporação:

  • Opção A: O recebimento de R$ 11,00 por ação em dinheiro (prêmio de 48,3% sobre o preço médio nos 60 dias anteriores ao início das negociações)
  • Opção B: O recebimento de R$ 8,01 em dinheiro, somado a 0,4662 quotas da GPT Brasil.

Os minoritários questionam rumores de que o GPT está mantendo transações privadas adicionais com dois sócios da Kepler Weber: a gestora Trígono Capital (15,3% do capital) e a família Heller (11,59%) e oferecendo pagamento extra para que os sócios ou parceiros da empresa não atuem no setor. Ocorre que isso é comum apenas para fundadores ou executivos e não a gestoras.

"Considerando que a comunicação [dos minoritários] menciona suposto tratamento não equitativo entre acionistas, em 18/12/2025 e 19/12/2025, a administração da
Companhia inquiriu determinados membros da Família Heller e a Trígono Capital a respeito das potenciais transações privadas em negociação entre esses acionistas e a GPT, ocasião em que foi informada que (i) estão mantendo conversas com a GPT com relação a potenciais transações privadas adicionais e com natureza jurídica distinta da Transação, em virtude da área de expertise e atuação desses acionistas e seus representantes, incluindo a contraprestação por, conforme aplicável, obrigações de não concorrência, não aliciamento e outras de natureza similar, levando em consideração os limites e normas legais aplicáveis e em conformidade com as práticas de mercado e (ii) tais transações privadas não representariam tratamento não equitativo entre acionistas, nem feririam qualquer princípio legal ou regulamentar, uma vez que estariam sendo negociadas sob as mesmas bases que a Transação apresentada pela GPT ao Conselho de Administração da Companhia", diz o texto da Kepler enviado nesta sexta à CVM.

"Em todo caso, no contexto específico da potencial transação, a Companhia refirma o seu compromisso de assegurar tratamento equitativo entre todos os
acionistas que estejam sujeitos à transação."

No pregão desta sexta-feira, às 11h54 (horário de Brasília), as ações da Kepler Weber (KEPL3) eram negociadas a R$ 9,69, com queda de 0,41%, após abrirem o dia a R$ 9,64.