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    Aluguel de imóvel já rende mais do que o dobro da renda fixa

    Um imóvel de R$ 500 mil terá aluguel, em média, de R$ 1.976, enquanto o mesmo valor aplicado no CDI rende R$ 800 em um mês

    Juliana Elias,

    do CNN Brasil Business, em São Paulo

     
    Casas imóveis
    Imóveis em São Paulo: aluguel para 0,4% do valor do imóvel, enquanto o CDI remunera 0,16% 
    Foto: Unsplash/Lucas Marcomini

    Comprar um imóvel para alugar no Brasil rende mais do que investir o mesmo dinheiro em uma aplicação de renda fixa básica, desde novembro de 2019. Naquele mês o retorno de quem tem um imóvel e aluga ficou maior – mesmo que ainda milimetricamente – do que a remuneração do CDI, considerado o rendimento mensal de cada um deles.

    Mas agora, o hiato entre os dois tipos de investimento aumentou — e muito. Em setembro de 2020, o ganho do aluguel era 2,5 vezes maior do que o da aplicação em renda fixa.  

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    O CDI é a taxa de juros que serve de piso para os bancos e que anda colada à taxa Selic. As duas são a referência para os rendimentos de toda a classe de investimentos da renda fixa. 

    A rentabilidade do aluguel, estimada pelo FipeZap, é a conta de quanto equivale o preço do aluguel sobre o valor total do imóvel, consideradas as médias do mercado. Na prática, é o rendimento mensal do proprietário em relação a quanto ele investiu na compra daquela casa ou apartamento. 

    O levantamento foi feito pela corretora Necton Investimentos e comparou a rentabilidade mensal do aluguel e do CDI desde 2008. 

    Em novembro de 2019, quando a virada aconteceu, o rendimento do CDI tinha caído a 0,38% ao mês, enquanto a rentabilidade do aluguel estava em 0,39%. 

    Isso significa que alguém que tivesse um imóvel de R$ 500.000 poderia ganhar R$ 1.967 de aluguel, enquanto os mesmos R$ 500 mil aplicados na Selic ou no CDI ganhariam R$ 1.900. 

    Atualmente, o ganho do aluguel está em 0,40%, ou R$ 1.976 para a casa de R$ 500 mil. O CDI, porém, derreteu para apenas 0,16%: significa uma remuneração mensal de apenas R$ 800 pelo mesmo valor.

     

    Em um passado não muito distante, o ganho da renda fixa chegou a ser mais que o triplo do mercado imobiliário. 

    É o caso de agosto de 2016, quando a taxa Selic tinha chegado a impressionantes 14,25% ao ano. A rentabilidade do aluguel, que mudou pouco de lá para cá, estava em 0,37%: R$ 1.842 de aluguel médio pelo imóvel de R$ 500 mil. 

    Já a remuneração mensal do CDI estava em 1,2%, o que significa que o mesmo dinheiro aplicado no banco renderia R$ 6.050 no mês. 

    Atualmente, a taxa Selic é de 2% ao ano, o menor nível de sua história. Em um passado ainda mais distante, no início dos anos 2000, ela chegou a ser superior a 20%.  

     

    Vantagem vai durar?

    De que é uma hora única para comprar imóveis poucos discordam, seja para investir, seja para morar. Os valores seguem relativamente baixos, ainda não recuperados totalmente desde a estagnação da crise de 2015 e 2016, e os juros minúsculos deixam os financiamentos excepcionalmente baratos. 

    Não à toa, o mercado imobiliário é um dos setores da economia que começaram a reagir mais rápido após o choque inicial da pandemia

    A dúvida entre os especialistas é se a situação de aluguel rendendo mais do que a renda fixa veio para ficar ou se está só de passagem, na carona da pandemia, que fez com que os juros caíssem especialmente mais

    “Tudo está relacionado ao juros baixos, e o que pode reverter esses juros é como a inflação vai se comportar nos próximos meses e no ano que vem”, disse Sergio Castelani, economista do DataZAP, braço de dados do Zap+, grupo dono dos sites de anúncios imobiliários Zap e Viva Real. 

    “Se a inflação sobe, o BC reage subindo a Selic, e o que vai ser determinante para a inflação é o cenário fiscal. Os gastos subiram muito na pandemia, o que traz pressão sobre a inflação. Tudo vai depender do que o governo vai fazer para segurar os gastos.” 

    O economista-chefe da Necton, André Perfeito, pontua a possibilidade de uma reversão pelo caminho inverso: não o do aumento de juros, mas o da queda na rentabilidade do aluguel. 

    “Mesmo que o governo faça um ajuste fiscal e os juros continuem baixos, esses mesmos juros baixos podem levar a uma alta no preço dos imóveis, o que pode fazer a taxa do aluguel ficar menor”, disse. 

    Parece um contrassenso a princípio, mas isso acontece, porque juros muito baixos são uma injeção de estímulo à compra de imóveis, o que tende a aumentar os preços de venda das unidades residenciais. Se os aluguéis não sobem na mesma proporção, o proprietário vê a sua renda mensal ficando menor em relação ao valor do bem que possui. 

    Em outras palavras, é como se o imóvel que vale R$ 500 mil hoje subisse para R$ 550 mil, mas continuasse valendo os mesmos R$ 1.970 de aluguel. Com isso, a rentabilidade mensal dele fica proporcionalmente menor, mesmo com o mesmo valor de aluguel.

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