Análise: Há falta de comprometimento com as contas públicas em 2026
Segundo análise de Gilvan Bueno, ao Bastidores CNNM, alteração na LDO permite que governo persiga piso, e não centro da meta de resultado primário em 2026, gerando alerta sobre comprometimento fiscal
O governo federal realizou uma alteração significativa no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), flexibilizando a meta fiscal para 2026. Mudança, articulada pelo deputado federal Gervásio Maia com a equipe econômica, permite que o governo busque atingir o piso, em vez do centro da meta de resultado primário. A análise é de Gilvan Bueno, ao Bastidores CNN.
A decisão gera preocupações sobre o comprometimento com as contas públicas, especialmente considerando que 2026 será um ano eleitoral. A flexibilização pode impactar diretamente a credibilidade do arcabouço fiscal.
"A tradução literal disso é 'colocamos a poeira debaixo do tapete'", comenta Bueno: "É uma grande questão que irá impactar juros futuros e o crescimento do próximo ano".
Impactos econômicos e fiscais
"Em 2026, estamos vendo uma falta de comprometimento com as contas públicas", afirma o analista sobre a decisão, explicando os possíveis impactos disso: "Demora-se para reduzir a taxa de juros, a inflação pode ficar mais persistente, os investidores vão exigir mais rentabilidade pelos títulos públicos, e tudo isso pode prejudicar a atividade econômica".
Um ponto de atenção adicional é a questão dos precatórios, que representa uma "bomba relógio" prevista para 2027. A situação se agrava com a atual flexibilização fiscal, que pode comprometer ainda mais a gestão das contas públicas nos próximos anos.
Gilvan Bueno também aponta que o Tribunal de Contas da União (TCU) tem exercido papel fundamental na fiscalização das contas públicas, identificando irregularidades em mais de 11 programas de transferência de renda. Este cenário reforça a necessidade de maior rigor no controle dos gastos públicos e na gestão fiscal do país.


