Análise: Flávio fortalece Lula e mercado vê chances de reforma diminuir

Analista de economia da CNN Fernando Nakagawa explica como a confirmação da escolha do filho de Jair Bolsonaro como pré-candidato para 2026 provocou queda na bolsa e alta do dólar

Da CNN Brasil
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A confirmação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como pré-candidato ao Palácio do Planalto nas eleições de 2026 causou forte impacto no mercado financeiro brasileiro. A bolsa de valores despencou e o dólar subiu significativamente após o anúncio, na sexta-feira (6), refletindo a preocupação dos investidores com o cenário político e econômico que se desenha para os próximos anos.

No Agora CNN, o analista de economia Fernando Nakagawa comentou que o Ibovespa operava em torno de 164 mil pontos quando, próximo ao horário de almoço de sexta-feira, surgiram as primeiras notícias sobre a candidatura de Flávio. "A Bolsa terminou o dia com uma queda de 4,31%. Foi simplesmente a maior queda desde fevereiro de 2021", destacou.

O movimento foi acompanhado pela alta do dólar, que chegou a subir cerca de sete centavos em apenas 10 minutos após a confirmação da notícia, encerrando o dia em R$ 5,43, com alta de 2,31%.

Por que o mercado reagiu negativamente

Nakagawa explica que existe a percepção de que Flávio seria um nome menos competitivo entre os potenciais candidatos da direita. Além disso, a escolha enfraquece significativamente a possibilidade de candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo, visto pelo mercado como uma opção mais moderada e com maior potencial eleitoral.

Com esse cenário, cresce a probabilidade de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato, o que, na visão dos investidores, reduz as chances de reformas econômicas profundas, especialmente aquelas voltadas para o controle do gasto público.

O mercado brasileiro vinha apresentando um desempenho positivo nas últimas semanas, impulsionado por fatores como a expectativa de cortes de juros nos Estados Unidos, a solução parcial da questão tarifária para o Brasil e a possibilidade de redução da taxa básica de juros no país no próximo ano.

Somava-se a isso a crescente percepção de que Tarcísio poderia ser o escolhido como candidato, apesar de suas declarações em contrário. "Isso estava nutrindo muita esperança de parte do mercado financeiro", afirmou o analista, destacando que essa expectativa diminuiu consideravelmente após o anúncio envolvendo Flávio Bolsonaro.

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