Análise: Trump ameaça fim de laços comerciais com China

Analista Gabriel Monteiro, no CNN Novo Dia, avalia aumento de tensão comercial entre EUA e China após boicote chinês à soja americana; Trump sinaliza possível retaliação no setor de óleo de cozinha usado

Da CNN Brasil
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As tensões comerciais entre Estados Unidos e China escalaram após Donald Trump ameaçar encerrar alguns laços comerciais com o país asiático. A declaração surge em resposta à significativa redução nas compras de soja americana pela China, que Trump classificou como "um ato economicamente hostil". Análise é de Gabriel Monteiro, analista de economia e âncora do CNN Money, ao CNN Novo Dia.

As exportações chinesas para os Estados Unidos registraram queda de 27% em setembro, marcando uma sequência de declínios mensais. A China tem direcionado suas compras de soja para outros mercados, principalmente o Brasil, que já exportou 80% de sua produção para o mercado chinês.

Impacto no mercado de soja

A situação preocupa especialmente os produtores americanos, uma vez que a safra nos Estados Unidos começa em setembro. Com estoques limitados na Argentina e no Brasil, especialistas preveem que a China eventualmente precisará recorrer ao mercado americano nos próximos meses. Desde abril, o país asiático aplica uma tarifa de 20% sobre a soja americana.

Como retaliação, Trump sinalizou a possibilidade de interromper as importações de óleo de cozinha usado da China, produto utilizado na produção de biodiesel nos Estados Unidos. "Este fato já não é necessariamente catastrófico, porque a China não vem vendendo tanto", explica Monteiro. "As pautas de biocombustíveis vem perdendo força dentro da administração de Trump e já há tarifas sob este produto". Contudo, a medida representa um aceno político aos produtores de soja americanos, que demandam uma resolução imediata para o conflito.

"Estamos vendo, nos últimos dias, esta guerra comercial escalando", destaca o analista. "Apesar de o discurso das autoridades vez ou outra dar indicativos de que tudo pode ser solucionado com o encontro entre Xi Jinping e Trump no final deste mês". Ambos os países implementam medidas comerciais restritivas. A China limitou a exportação de terras-raras para os Estados Unidos, que responderam com tarifas de 100%. Além disso, Pequim sancionou um estaleiro sul-coreano com unidades nos Estados Unidos, ampliando o alcance das disputas comerciais.

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