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    Após caos, grandes aéreas defendem restringir aviões pequenos em Congonhas

    Associação de proprietários de aeronaves nega risco e menciona que grandes empresas querem horários do aeroporto

    Fernando Nakagawado CNN Brasil Business

    As horas de caos no aeroporto central de São Paulo destaparam a discussão sobre o uso do segundo aeroporto mais movimentado do Brasil. Após cancelamentos de centenas de voos, empresas aéreas defendem a restrição de aviões de pequeno porte – como o envolvido no incidente – em Congonhas, nos horários de pico.

    Operadores da aviação executiva rebatem a acusação e dizem que aeronaves menores sempre conviveram em segurança com as rotas comerciais, seja em Congonhas ou no restante do mundo.

    Enquanto as aéreas ainda tentavam recolocar passageiros, a Abear (Associação Brasileiras das Empresas Aéreas) divulgou nota em que fez firme defesa da mudança do uso do aeroporto paulistano.

    “A Abear destaca a importância de restringir a operação de aeronaves de baixa performance na pista principal de Congonhas a fim de agilizar a recomposição da malha nacional e atender os milhares de passageiros que precisam ser transportados”, cita o documento divulgado na tarde desta segunda-feira (10).

    Na nota, a entidade que representa Gol e Latam, entre outras, informou ainda que em 29 de setembro entregou ofício à Infraero “recomendando a adoção definitiva dessa medida, visto que os impactos causados por incidentes na pista principal de um aeroporto de grande porte impactam milhares de passageiros em todo o Brasil”.

    Se não puderem usar Congonhas, a aviação executiva teria como alternativa pousar nos aeroportos de Campo de Marte, na zona norte da capital paulista; Guarulhos; Catarina, em São Roque; ou Jundiaí.

    A AOPA Brasil (Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves) nega qualquer risco à operação e reafirma, em nota, a segurança da operação de táxis aéreos e aeronaves particulares. “Os dados falam por si só: os grandes acidentes que ocorreram em Congonhas envolveram aeronaves da aviação comercial”, cita nota publicada no site da entidade, que menciona que toda a discussão pode ter relação com o interesse das aéreas nos horários do aeroporto.

    Em grandes capitais com mais de um aeroporto, a aviação executiva convive com as linhas comerciais. Entre os exemplos lembrados pelo setor, estão London City, em Londres; La Guardia, em Nova York; e Aeroparque, em Buenos Aires.

    Briga pelos slots

    A discussão sobre o uso de Congonhas é antiga. Como aeroporto central da principal metrópole brasileira, o terminal é o destino mais desejado e concorrido em toda a aviação nacional, seja pelas empresas comerciais, companhias de táxi aéreo ou proprietários particulares. Tudo isso gera grande disputa pelos horários de pouso e decolagem, os chamados slots.

    Atualmente, o aeroporto paulistano tem até 41 movimentos de pouso ou decolagem por hora. Desses slots, oito por hora são reservados para a aviação executiva, sendo seis na pista auxiliar e dois na pista principal. Aviões executivos de maior porte só podem pousar e decolar da pista principal – a usada pelos jatos das aéreas comerciais em Congonhas.

    E mesmo quando há movimento exclusivamente na pista auxiliar o uso da principal fica comprometido porque não são permitidas operações simultâneas devido à proximidade das duas pistas.

    E essa briga pelos horários tende a crescer nos próximos anos com o terminal administrado pela espanhola Aena, o que deve dinamizar a operação de Congonhas.

    Vocação

    A entidade que representa a aviação executiva rebateu a proposta das companhias aéreas de restringir aviões pequenos no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, nos horários de pico. A Abag (Associação Brasileira de Aviação Geral) defende que a vocação do terminal paulistano é servir voos regionais e a aviação de negócios.

    Em nota, a entidade diz que é necessário discutir “se existe sentido em concentrar tantos voos em um aeroporto de tamanha importância com uma única pista apta a receber operações de linha aérea”.

    A associação que representa a aviação executiva diz que “não faz sentido fazer de Congonhas um hub (centro de distribuição de voos) vital para a malha aérea nacional”.

    Para a Abag, “faz muito mais sentido deixar Congonhas para os aviões menores do que enxotá-los de lá”. “A verdadeira vocação de Congonhas não é para grandes jatos com muitos passageiros. Há outros aeroportos no entorno de São Paulo, como Guarulhos e Viracopos, verdadeiramente vocacionados para servirem melhor às linhas aéreas e seus usuários”, diz o texto.