Aérea brasileira garante investimento de US$ 650 milhões
Em meio ao pedido de recuperação judicial nos EUA, a companhia Azul busca reforçar sua estrutura financeira e superar desafios econômicos
A companhia aérea brasileira Azul informou ter assinado um acordo com determinados stakeholders para um investimento de US$ 650 milhões em um futuro plano de capitalização.
Segundo comunicado divulgado na noite de sexta-feira (1º), o chamado "contrato de compromisso de apoio" ainda precisa ser aprovado pelo tribunal dos Estados Unidos responsável por supervisionar o processo de recuperação judicial da empresa.
A Azul entrou com pedido de recuperação judicial nos EUA em maio, após meses tentando reestruturar dívidas acumuladas durante a pandemia. O anúncio fez os ADRs da companhia listados nos Estados Unidos despencarem quase 30% antes da abertura dos mercados norte-americanos.
O acordo, na época, previa um compromisso de US$ 1,6 bilhão em financiamento ao longo do processo, a eliminação de mais de US$ 2 bilhões em dívidas e um aporte adicional de até US$ 950 milhões em equity.
A empresa firmou acordos com seus principais parceiros financeiros, incluindo detentores de títulos de dívida, a arrendadora de aeronaves AerCap e as companhias aéreas United Airlines e American Airlines, para apoiar a reestruturação.
"O que eu costumava pagar em juros em 2019 aumentou 10 vezes com uma moeda 50% mais fraca", afirmou o presidente-executivo da Azul, John Rodgerson, em entrevista à Reuters.
Rodgerson disse ainda que a empresa está confiante em concluir o processo rapidamente.
"Acreditamos que podemos entrar e sair antes do final do ano. A saída às vezes é a parte mais difícil deste processo. Então, já estamos entrando com a saída em mente e com o financiamento garantido", declarou.
Detalhes do acordo
O pedido de recuperação judicial também pode impactar o andamento de uma possível fusão com a Gol.
A Azul é a mais recente de uma série de empresas aéreas latino-americanas — como Aeroméxico, Avianca, Gol e LATAM Airlines — a enfrentar processos semelhantes após a pandemia, em razão do elevado endividamento.
Desde o ano passado, a companhia vinha tentando reestruturar seu balanço. Chegou a fechar um acordo com arrendadores de aeronaves para eliminar US$ 550 milhões em dívidas em troca de cerca de 20% de participação acionária, além de um acerto com credores financeiros para levantar mais US$ 500 milhões.
No entanto, problemas na cadeia de suprimentos, atrasos na entrega de aeronaves, planos de manutenção e a desvalorização do real frente ao dólar mantiveram a empresa sob forte pressão.
"Tínhamos muitas dívidas no balanço, principalmente devido à Covid. Agora temos a oportunidade de limpar tudo", acrescentou Rodgerson.
*Com informações de Ana Mano, da Reuters


