Baixo custo de captação impulsiona competitividade do Inter no crédito
Alexandre Riccio, CEO do Inter, avalia que com captação a 64% do CDI, banco ganha flexibilidade para escolher segmentos de atuação no mercado

O Inter opera com um custo de funding de 64% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), índice que, segundo a própria instituição, pode ser o mais baixo da indústria financeira brasileira. Esse desempenho é atribuído a uma estratégia construída desde 2016, quando o banco de varejo digital foi lançado com uma proposta de conta gratuita e completa.
O modelo gratuito atraiu um grande volume de clientes engajados, que passaram a depositar seus recursos no Inter. Esses recursos se distribuem entre depósitos à vista, CDBs (Certificado de Depósito Bancário) e LCIs (Letra de Crédito Imobiliário).“Com isso, a gente acaba entregando esse mix de custo de funding, super saudável, em 64% do CDI”, explicou Alexandre Riccio, CEO do Inter, durante entrevista ao Números Falam, que vai ao ar nesta sexta-feira.
Atualmente, entre 20% a 30% da captação do Inter vem de depósitos à vista, que têm custo zero ou muito próximo de zero. Outros 15% a 20% são provenientes de LCIs, que também possuem custo inferior ao CDI. O restante é composto principalmente por CDBs, cuja remuneração gira em torno de 100% do Certificado. Segundo Riccio, essa combinação permite ao banco manter um custo médio de captação equivalente a apenas 64%.
Vantagem competitiva no crédito
O baixo custo de captação é apontado como um diferencial estratégico relevante para a atuação no mercado de crédito. A instituição reconhece que, em 2012 e 2013, o custo de captação mais elevado limitava sua capacidade de escolher em quais segmentos competir. Segundo o CEO, com essa porcentagem é possível escolher onde a companhia quer competir.
Além dos produtos básicos de captação, o Inter também opera uma plataforma de distribuição de investimentos. Segundo os dados apresentados, um a cada cinco brasileiros que possuem Tesouro Direto o fazem pelo Inter, e aproximadamente 16% dos CPFs com fundos imobiliários também utilizam a plataforma da instituição.
Estratégias de principalidade
O Inter também conta com 44 milhões de clientes, dos quais 25,8 milhões são considerados ativos, o equivalente a uma taxa de ativação de 56,8%. Com essa base consolidada, a estratégia da instituição deixou de ser a expansão acelerada do número de usuários e passou a priorizar a chamada principalidade — tornar o Inter o banco principal na vida de cada cliente. Segundo o Riccio, a companhia evoluiu de um banco digital para um ecossistema com mais de 180 produtos e serviços, distribuídos por canais como o aplicativo e o WhatsApp. O objetivo é ampliar o relacionamento com quem já é cliente, aumentando o uso da plataforma e a geração de receita.
Para isso, o banco utiliza a Seven, sua plataforma de inteligência artificial, responsável por personalizar ofertas de acordo com o perfil de cada usuário. "A gente hiperpersonaliza com uma série de modelos de propensão para fazer a oferta certa para o cliente certo, na hora certa", explicou Riccio.
O programa Números Falam é uma produção do NeoFeed com a CNN Brasil e é apresentado por Márcio Kroehn. Acompanhe os episódios inéditos, quinzenalmente, às 19h45, no CNN Money.


