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    BC dos EUA cita economia forte e não descarta nova alta de juros neste ano

    Autoridade monetária americana reconheceu que a atividade avançou em ritmo acelerado no terceiro trimestre e que a inflação continua distante da meta

    Documento sinalizou que o Comitê segue bastante atento aos riscos inflacionários
    Documento sinalizou que o Comitê segue bastante atento aos riscos inflacionários 28/03/2008REUTERS/Jason Reed

    Diego Mendesda CNN

    São Paulo

    No comunicado do Federal Reserve System (Fed — Banco Central dos Estados Unidos) desta quarta-feira (1º), deixou uma nova alta na taxa básica de juros na mesa.

    De acordo com o documento, o crescimento persistentemente acima do potencial e a tensão no mercado de trabalho poderá colocar em risco novos progressos na inflação, o que justificaria um maior aperto da política monetária.

    O Fed reconheceu que a atividade avançou em ritmo acelerado no terceiro trimestre e que a inflação continua distante da meta, ao mesmo tempo em que o mercado de trabalho permanece aquecido.

    Conforme esperado pelo mercado, o comitê monetário dos EUA manteve a taxa de juros entre 5,25% a.a. e 5,50% a.a., mantendo a postura de cautela e aguardando novos dados para a tomada de decisão.

    Segundo André Cordeiro, economista-sênior do Inter, o comitê deu indícios sobre os próximos passos, reforçando que estão prontos para mudar a direção da política monetária caso necessário e que acompanharão de perto os desenvolvimentos econômicos e os eventos internacionais — um aceno para o conflito no Oriente Médio.

    “A decisão foi sem surpresas, com o Fed mantendo o discurso de dependência dos dados. Entretanto, há de se questionar se essa dependência realmente existe, uma vez que o conjunto de dados das últimas semanas é amplamente consistente com uma economia ainda aquecida”, pontuou.

    Por outro lado, Cordeiro diz que alguns dados antecedentes, como o ISM industrial divulgado também nesta quarta, mostram uma desaceleração mais intensa que o esperado.

    Para o economista-chefe da Nomad, Danilo Igliori, embora decisão e comunicado não tragam surpresas, o que vem pela frente será agora objeto de grande debate.

    “Primeiramente, ainda não sabemos se o ciclo de alta foi encerrado ou se ainda haverá a necessidade de mais um aumento de 0,25 ponto porcentual – ou outros ajustes. Em segundo lugar, em que momento o FOMC passará a reduzir a taxa de juros e com qual velocidade. Finalmente, qual será o nível terminal da taxa após o próximo ciclo de queda”, questiona.

    Para responder essas questões, Igliori indica diversos fatores domésticos e internacionais precisam ser considerados.

    “Domesticamente, além da evolução da atividade econômica e da inflação, ganham destaque questões fiscais em um ano eleitoral e a contribuição que a alta nos retornos dos títulos do tesouro pode dar na redução da demanda agregada. Já com relação ao cenário internacional temos os impactos potenciais do conflito no oriente médio via oferta de petróleo ou, indiretamente, através da piora no ambiente para investimentos e comércio globais”, destaca.

    Futuro

    Os próximos dados serão importantes para corroborar esse cenário. Na visão de Gustavo Sung, economista-chefe Suno Reserach, no comunicado, o Comitê adotou uma postura cautelosa e aguarda novos dados para futuras decisões. A autoridade deixou a possibilidade de novos aumentos em aberto, caso os riscos que afetem a inflação se concretizem.

    “Entretanto, em nosso cenário, o Comitê não deve elevar mais o juro, mantendo a taxa no atual patamar ao longo de 2024. E, um a coisa é certa, a taxa deverá permanecer nesse patamar restritivo até que a inflação dê sinais claros de convergência para 2%”, avalia.

    De acordo com Igliori, já entra no radar a desaceleração observada na Europa e na China. O FOMC vem ressaltando a importância de se levar em consideração a defasagem e potência da política monetária, o que ficou mais difícil após a pandemia do Coronavírus.

    Neste sentido, o economista diz que o que acontece em outros países pode servir de base para simulações. Na mesma direção, entra o debate sobre alterações na chamada taxa de juros neutra (o nível que não pressiona a inflação).

    Está virando consenso que o juro de equilíbrio deverá ser maior do que antes da pandemia, mas não sabemos exatamente em que nível.

    “Neste momento, enfatizar mais uma vez que deixam a porta aberta para ajustes adicionais dá margem a um espectro maior de possibilidades sobre o que pode vir pela frente, particularmente pelo aumento das incertezas no cenário internacional”, analisa.

    Veja também: Banco Central decide nova taxa básica de juros nesta quarta-feira (1º)