BCE: Autoridades defendem aumento de juros já que inflação pode continuar

Membros do Banco Central Europeu alertaram para risco de que preços elevados se consolide

Por Balazs Koranyi, da Reuters
Compartilhar matéria

O Banco Central Europeu (BCE) pode precisar apertar a política ​monetária, talvez já em junho, defenderam autoridades ​do BCE nesta sexta-feira (1º), alertando que as perspectivas de inflação estão se deteriorando e que está aumentando o risco de que o aumento elevado dos preços se consolide.

O BCE deixou as taxas de juros inalteradas na quinta-feira, mas debateu a possibilidade de aumentá-las e sinalizou, em comentários que ⁠os juros mais altos ​permanecerão na agenda já que teme que um pico de ​inflação induzido pela energia possa persistir além de um impacto pontual.

"Do ponto ⁠de vista atual, a situação está ⁠evoluindo de forma menos favorável do que no cenário ​base ‌anterior", disse o presidente do banco central alemão, Joachim Nagel. "Isso torna ⁠ainda mais apropriado que o Conselho do BCE reaja em junho se as perspectivas não melhorarem acentuadamente."

Em março, o BCE delineou um cenário base, um cenário ‌adverso ⁠e um cenário ‌grave para o crescimento e a inflação, e mesmo sua perspectiva mais benigna pressupunha algum aperto na política monetária.

O chefe do banco central da ⁠Estônia, Madis Muller, também alertou nesta ⁠sexta-feira que a taxa de depósito de 2% do BCE pode precisar ser elevada.

"Ainda ‌não consideramos necessário aumentar as taxas de juros nesta semana, mas é cada vez mais provável que tenhamos de fazê-lo no futuro", disse ele em um post de blog. "Já há sinais de que o aumento ‌dos preços da energia está sendo repassado para outros produtos e serviços."

O BCE não pode reduzir os preços da energia, mas diz que ⁠deve agir se esse choque começar a afetar outros preços por meio de efeitos secundários.

O membro austríaco do BCE, Martin Kocher, adotou um tom ​mais cauteloso, mas também alertou que a inflação mais alta, impulsionada pelo ​aumento dos preços do petróleo devido à guerra do Irã, pode ter vindo para ficar.

"A perspectiva da inflação se deteriorou", disse ele. "Portanto, é possível que estejamos enfrentando uma inflação prolongada."

Acompanhe Economia nas Redes Sociais