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    Brasil tem liderança em ranking de juros reais no mundo, mostra levantamento

    Considerando o valor nominal da taxa, de 13,75%, os juros brasileiros ficam na segunda posição dentre 40 países

    Getty Images

    Pedro Zanattado CNN Brasil Business

    em São Paulo

    A decisão do Copom em manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano faz com que o Brasil ocupe o 1° lugar no ranking de taxas de juros reais – descontada a inflação – projetada para os próximos 12 meses.

    No levantamento feito pela Infinity Asset, referente à dezembro, entre as 40 nações analisadas, o Brasil aparece com uma taxa de 8,16%, seguido por México (5,39%), Chile (4,66%), Hong Kong (3,12%) e Colômbia (2,39%).

    Já os menores juros reais foram registrados na Grécia (-6,43%), República Checa (-7,53%), Holanda (-7,78%), Argentina (-11,36%) e Turquia (-14,49%).

    A média de juros reais dentre os 40 países foi de -2,16%, indicando que as inflações projetadas ainda tendem a ser maiores que as taxas de juros atuais.

     

    Já considerando apenas a taxa nominal de juros, o Brasil ocupa a segunda colocação no ranking. A maior taxa nominal é a da Argentina (com 75,00%), que enfrenta níveis cada vez maiores de inflação.

    Também enfrentando níveis elevados de inflação, a Hungria se encontra em terceiro lugar, após o Brasil, com 13%.

    As menores taxas de juros nominal são da Dinamarca (1,25%), Japão (-0,10%), Suíça (-0,75%) e dos países que compõem a zona do euro, todos com um mesmo patamar de 2%. A média dos 40 países foi de 6,24%.

    Ranking de juros reais ao redor do mundo em dezembro

    Para Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, a situação fiscal do Brasil e as discussões em torno da PEC do Estouro – que permite gastos extratexto por parte do governo federal – influenciam na percepção dos juros futuros do país.

    “Se piorar a situação fiscal, a perspectiva é de que vai se converter em inflação, porque a demanda do governo por mais recursos também se traduz em maior dinheiro em circulação quando começa a emitir mais títulos. E esse dinheiro em circulação também se converte em inflação, e todo o contexto de juros começa a ficar sempre mais elevado. Muda a percepção de juros reais, ela começa a diminuir, porque com a inflação mais alta você começa a achatar a curva de juros reais, mas a de juros nominais não. Ela fica sempre crescente naquele contexto em que vai tentar preservar o ganho.”

    Além disso, o especialista menciona uma perspectiva em que o governo não terá condições de aumentar a arrecadação, uma vez que o cenário de arrecadação ainda é incerto para o próximo ano.

    “A percepção de que a demanda por juros mais elevados vem do cenário em que o governo, sem condições efetivamente de aumentar a arrecadação – por conta de um momento de crescimento econômico mais baixo, e, dado o crescimento econômico mais baixo , obviamente, elevar os impostos seja algo problemático, ele precisa recorrer ao mercado para se financiar. Ao fazer isso, o mercado entende que ele está ultrapassando aquilo considerado crível e, ao ultrapassar, o mercado entende que o governo precisa pagar mais juros. Ou seja, ele aumenta seu próprio risco e daí as taxas futuras acabam se elevando”, analisa.