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BRB fez registros contábeis "sem respaldo" após comprar carteiras do Master

Equipe técnica do Banco Central apontou indícios veementes da prática do crime de gestão fraudulenta dos gestores do BRB e do Banco Master

Vitória Queiroz, da CNN Brasil, Brasília
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O BRB (Banco de Brasília) realizou registros contábeis sem respaldo documental para não se desenquadrar das regras do setor financeiro, após comprar carteiras de crédito do Banco Master, segundo a área técnica do BC (Banco Central).

De acordo com o BC, entre julho de 2024 e outubro de 2025, o BRB transferiu ao grupo Master cerca de R$ 16,7 bilhões. 

"Nessas operações, o BRB realiza a transferência financeira no momento da aquisição; contudo, nas devoluções/revendas, há substituição por novas carteiras ou cotas de fundos de investimento, sem retorno do fluxo financeiro, o que gerou efeitos negativos na liquidez, inclusive com momentos em que o nível ficou abaixo do colchão de liquidez estabelecido internamente", diz o parecer da área técnica.

Os técnicos avaliaram que o elevado apetite do BRB por aquisições gerou impactos nos limites operacionais da instituição financeira. Segundo o parecer do BC, houve desenquadramento do índice de Basileia - indicador internacional que mede a saúde financeira de um banco - nos meses de janeiro e fevereiro de 2025. 

Por conta da aquisição de ativos do Master, limites de capital do BRB — que já estavam perto do nível mínimo — passaram a apresentar deficiência nos dois primeiros meses de 2025.

"Para não desenquadrar, o BRB realizou registros contábeis sem respaldo documental, baseando-se em contrato de venda da participação societária da BRB Financeira, celebrado apenas em março de 2025. Ressalta- se que esta Supervisão determinou a regularização dos documentos contábeis, pendência ainda não sanada pelo BRB", informou a área técnica do BC.

Os técnicos informaram também que o BRB registrou falhas adicionais nos controles internos e na governança por dificuldades na internalização das carteiras adquiridas do Master.

“Verifica-se que as transferências vêm sendo realizadas desde 2024, mesmo diante das ressalvas formuladas pelo Banco Central, bem como dos reiterados pedidos de informações e de bem como dos reiterados pedidos de informações e de monitoramento dirigidos à instituição. Nesta hipótese, há indícios veementes da prática do crime de gestão fraudulenta dos gestores do BRB em conluio com os Diretores do Banco Master”, diz.

A CNN procurou o BRB, mas não recebeu respostas até a publicação deste texto. O espaço segue aberto. Em nota divulgada após a operação, o banco informou atuou que sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência, prestando regularmente informações ao Ministério Público Federal e ao Banco Central do Brasil sobre todas as operações relacionadas ao Banco Master.

Liquidação do Master

O BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master na última terça-feira (18). A autoridade monetária informou que a decisão foi motivada por "grave crise de liquidez" e "graves violações" às normas do sistema financeiro.

A Operação Compliance Zero combate a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional. Estão sendo investigados os crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros.

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