COP30

Na COP30, governo apresenta compras de alimentos da agricultura familiar

Por meio da plataforma Contrata+Brasil, órgãos federais vão poder adquirir produtos alimentícios de produtores cadastrados no Programa de Aquisição de Alimentos

Vitória Queiroz, da CNN Brasil, Brasília
COP30 vai servir 120 mil refeições com produtos da agricultura familiar a voluntários  • Alex Ribeiro / Ag. Pará
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O MGI (Ministério da Gestão e Inovação) atualizou nesta terça-feira (11) a plataforma Contrata+Brasil, de modo a facilitar as compras públicas de alimentos produzidos por agricultores familiares. A ideia é desburocratizar o processo, ampliando a aquisição de produtos com essa origem pelos órgãos federais. 

Com a atualização, o MGI vai conectar compradores públicos — que utilizam a lei de licitação para adquirir alimentos — aos produtores da agricultura familiar cadastrados no PPA (Programa de Aquisição de Alimentos). Até então, a plataforma Contrata+Brasil permitia a contratação somente de serviços de microempreendedores individuais.

Pela legislação brasileira, do total de alimentos adquiridos pelos os órgãos federais, 30% devem ser provenientes da agricultura familiar. No entanto, o MGI identificou que ainda há dificuldades para chegar nesse percentual. 

Em 2024, por exemplo, os órgãos federais destinaram R$ 2,6 bilhões para a compra de alimentos. Desse total, somente R$ 110 milhões foram identificados como produtos oriundos da agricultura familiar. O MGI avalia que há margem para chegar a R$ 780 milhões com o Contrata+Brasil. 

A expectativa é que, nos próximos dois anos, a plataforma contribua para deslocar progressivamente as contratações de grandes fornecedores para produtores locais, cooperativas e associações rurais.

Uma vez cadastrado no Contrata+Brasil, o agricultor vai informar a disponibilidade do seu produto, a partir das chamadas públicas abertas pelos órgãos federais. Quando o pedido de compra for inserido pela União na plataforma, todos os agricultores aptos a fornecerem serão notificados pelo WhatsApp. 

Ao ser selecionado, o agricultor familiar receberá o pagamento em até três dias. Os preços são tabelados, com base em uma média de mercado.

Entre os critérios de seleção, está dar prioridade a produtores situados próximos ao local do pedido. Os agricultores quilombolas e indígenas também serão priorizados no processo de aquisição. O programa também vai priorizar a compra de alimentos orgânicos. 

Outra novidade é que haverá dentro da plataforma uma espécie de “etiqueta”, a qual sinalizará ao comprador se o alimento é in natura ou ultraprocessado, de acordo com as premissas do Guia Alimentar para a População Brasileira.

A novidade foi lançada durante a COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática), em Belém. A ideia é mostrar para os outros países que  o Brasil está adotando o princípio da sustentabilidade nas suas compras públicas de alimentos, ao adotar diretrizes ambientais e socioeconômicas.

Ao todo, o país possui 3,7 milhões de agricultores familiares com cadastro ativo no Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, que podem se beneficiar da atualização do Contrata+Brasil. A adesão à plataforma será obrigatória a partir de 1° de julho de 2026.

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