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    Banco Central dos EUA mantém taxa de juros na faixa entre 5% e 5,25% ao ano

    É a primeira vez que o Fed não altera a taxa desde março de 2022, após dez aumentos

    Ana Carolina Nunesda CNN

    em São Paulo

    O Comitê de Política Monetária (Fomc) do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, anunciou nesta quarta-feira (14) que decidiu pela manutenção da taxa de juros do país, que fica entre 5% e 5,25% ao ano.

    É a primeira vez que o Fed não altera a taxa desde março de 2022, após dez aumentos. Em sua última decisão, a taxa subiu 0,25 ponto percentual e estava, à época, no intervalo de 4,75% a 5%.

    Contudo, o comunicado da instituição aponta que o ciclo de aperto pode retornar nas próximas reuniões.

    A decisão seguiu a expectativa do mercado, que era por manutenção da taxa. A divulgação dos dados de inflação no país na terça-feira (13) reforçou a projeção de manutenção.

    Os preços ao consumidor nos Estados Unidos subiram moderadamente em maio, informou o Departamento do Trabalho, levando ao menor aumento anual da inflação em mais de dois anos.

    O índice de preços ao consumidor (CPI na sigla em inglês) aumentou 0,1% no mês passado com queda dos preços da gasolina, depois de avanço de 0,4% em abril. Nos 12 meses até maio, o índice subiu 4,0%, menor patamar nessa base de comparação desde março de 2021, ante aumento de 4,9% em abril.

    O dado anual atingiu um pico de 9,1% em junho de 2022, patamar mais elevado desde novembro de 1981, e está diminuindo à medida que os grandes aumentos do ano passado saem do cálculo.

    De acordo com o comunicado da instituição, indicadores recentes apontam que a atividade econômica continua a se expandir em ritmo modesto e que o mercado de trabalho tem se mantido robusto nos últimos meses, com a taxa de desemprego se mantendo baixa. Contudo, a inflação se mantém elevada.

    “O sistema bancário dos EUA está sólido e resiliente. Condições de crédito mais apertadas para famílias e empresas devem pesar na atividade econômica, nas contratações e na inflação. A extensão desses efeitos permanece incerta. O Comitê permanece altamente atento aos riscos de inflação”, diz trecho do documento.

    A meta de inflação nos Estados Unidos é de 2% ao ano. “Para manter esse objetivo, o Fomc decidiu em manter o intervalo de 5% a 5,25% para a taxa de juros no país. A decisão nesta reunião permite ao Copom avaliar informações adicionais e suas implicações para a política monetária. O Comitê continuará monitorando as implicações das informações recebidas para as perspectivas econômicas. As avaliações do Comitê levarão em conta uma ampla gama de informações, incluindo leituras sobre as condições do mercado de trabalho, pressões inflacionárias e expectativas de inflação, e desenvolvimentos financeiros e internacionais”, informa o Fomc, indicando que deve decidir por novos aumentos na taxa nas próximas reuniões.

    Além disso, o Comitê disse que continuará reduzindo suas participações em títulos do Tesouro e dívidas de agências e títulos lastreados em hipotecas de agências, conforme descrito em seus planos anunciados anteriormente.

    A última decisão do Fed, em maio, ocorreu apenas dois dias após o colapso do First Republic Bank, a segunda maior falência bancária da história dos EUA.

    Como o Silicon Valley Bank e o Signature Bank, a falência do First Republic foi precipitada pela campanha de aumento de juros do banco central, que já se estende por um ano.

    À medida que as taxas sobem, os investimentos feitos pelos bancos — particularmente em títulos de longo prazo — desvalorizam, deixando os credores sentados em bilhões de dólares em perdas não realizadas.

    Quando o Fed aumenta as taxas de juros, os bancos precisam aumentar as taxas de suas contas de poupança para atrair clientes de seus concorrentes. Isso pode colocar uma quantidade desproporcional de pressão sobre os bancos médios e regionais — como aqueles que viram os correntistas retirarem seu dinheiro quando a crise bancária começou, em março.