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    Dólar, bancos e postos de gasolina: o que acompanhar no primeiro dia útil após as eleições na Argentina

    Economistas esperam desvalorização do peso argentino diante da proposta de dolarização de Javier Milei

    Bandeira da Argentina vista nas ruas de Buenos Aires
    Bandeira da Argentina vista nas ruas de Buenos Aires 24/03/2023REUTERS/Agustin Marcarian

    Fernando Nakagawada CNN

    Buenos Aires

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    O primeiro dia útil após a mais concorrida eleição presidencial na Argentina será um teste para entender como a sociedade e a economia vão reagir à eleição de Javier Milei.

    A cotação do dólar, o movimento nos bancos e as filas nos postos de gasolina serão três bons termômetros sobre como se comporta segunda maior potência econômica da América do Sul com a escolha do novo presidente.

    Ontem foi feriado da Soberania Nacional na Argentina. Por isso, a vida volta efetivamente ao normal apenas hoje no país.

    Isso quer dizer que só nesta terça (21) será possível observar o interesse dos argentinos no dólar.

    Normalmente, o preço da moeda norte-americana já é um dos mais importantes indicadores econômicos da economia do país sul-americano.

    Agora, diante da promessa de Milei de dolarizar o país, o termômetro passa a ser ainda mais relevante.

    Nesse cenário, economistas esperam que comece, a partir de agora, um processo de desvalorização do peso argentino. Ou seja, o dólar deve ficar mais caro no país.

    O entorno econômico de Javier Milei e também a equipe do derrotado Sergio Massa concordam que é preciso desvalorizar as cotações oficiais da moeda — consideradas irreais — rumo aos preços praticados no mercado paralelo, que estariam mais próximas do valor considerado “justo” da divisa.

    Assim, seria possível atrair dólares — item em falta no Banco Central. Essa atração da moeda acontece porque estrangeiros receberiam mais pesos a cada dólar que ingressar no país.

    Hoje, o dólar oficial custa cerca de 370 pesos (cerca de R$ 5,07). A equipe de Milei entende que o valor é irreal, e seria preciso corrigir o preço em cerca de 100%. Ou seja, levar a cotação oficial para perto de 700 pesos (R$ 9,60).

    Esse valor está mais próximo dos valores praticados no mercado paralelo, que negociou os dólares a 950 pesos (R$ 13,03) na sexta-feira (17) antes das eleições.

    Filas nos bancos

    Outro bom termômetro serão as agências bancárias. Como o plano de Milei tinha na dolarização um dos grandes temas das eleições presidenciais, muitos argentinos acreditam que o país vai voltar a cobrar e pagar em dólares norte-americanos — situação mais ou menos comparável à política da conversibilidade dos anos 1990, quando um peso valia exatamente um dólar.

    Alguns economistas temem que, diante dessa possibilidade, haja algum movimento diferente nos bancos para sacar rapidamente pesos e comprar dólares o mais rápido possível — antes da esperada desvalorização das cotações oficiais.

    Esse cenário se torna ainda mais chamativo com as palavras de Milei no discurso de vitória no domingo (19), quando ele disse que não há espaço para gradualismos.

    Postos de gasolina

    O terceiro termômetro da economia argentina serão os postos de gasolina. Recentemente, o país sofreu com a falta de combustíveis — problema gerado pela escassez de dólares no país.

    Se houver uma desvalorização acelerada do peso e Milei cumprir a promessa de cortar subsídios — entre eles, dos combustíveis, os preços da gasolina podem subir expressivamente.

    Por isso, começaram a ser observadas filas em postos de combustível desde a noite de domingo, após a vitória de Milei.

    Veja também: Milei adia anúncio de ministro da Economia da Argentina e culpa Sergio Massa

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