Economistas esperam crescimento maior dos EUA, mas veem impacto tarifário

Tarifas devem reduzir em até meio ponto percentual o crescimento econômico do país; pesquisa apontou também para um aumento lento do emprego, alta do desemprego e inflação mais rígida

Por Howard Schneider, da Reuters
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O aumento do investimento empresarial deve compensar o crescimento mais fraco do consumo e do comércio global e vai manter a economia dos Estados Unidos crescendo perto da tendência, segundo pesquisa da Associação Nacional de Economia Empresarial. Porém, o aumento lento do emprego, a alta do desemprego e inflação mais rígida prejudicam as perspectivas.

Os novos impostos de importação do governo Trump continuam sendo um obstáculo para o desempenho da economia, concluiu a pesquisa, com mais de 60% dos 40 economistas consultados.

A pesquisa estima que as tarifas reduzirão em até meio ponto percentual o crescimento econômico, com a queda das importações e exportações e o aumento dos preços ao consumidor como resultado das taxas. Nenhum dos economistas esperam que as tarifas impulsionem o crescimento.

Mas a versão mais recente da pesquisa trimestral da NABE, divulgada como parte da reunião anual do grupo, mostrou melhora das opiniões mais pessimistas sobre as perspectivas dos EUA oferecidas mais cedo neste ano, quando as preocupações com o impacto econômico das tarifas e os riscos de uma guerra comercial mais ampla estavam no auge.

A mediana das projeções aponta que a economia crescerá 1,8% em 2025, em torno da maioria das estimativas do potencial subjacente, em comparação com a taxa de 1,3% projetada na pesquisa de junho.

A inflação medida pelo índice de preços preferido do Federal Reserve, o PCE, deve encerrar o ano em 3%, ligeiramente abaixo dos 3,1% projetados em junho.

Mas ela deve diminuir apenas para 2,5% em 2026, segundo as projeções da pesquisa, em comparação com 2,3% na pesquisa de junho, um retorno mais lento em direção à meta de 2% do Fed.

A taxa de desemprego, por sua vez, deve subir até o próximo ano, embora menos do que se temia em junho, para 4,5% contra 4,7% na pesquisa anterior.

A expectativa é de que o Federal Reserve corte a taxa de juros, embora em um ritmo um pouco mais lento do que o previsto pelos investidores, com apenas mais um corte previsto para este ano, em comparação com as duas reduções de 0,25 ponto percentual atualmente precificadas nos contratos vinculados à taxa de juros referencial do banco central.

A pesquisa destacou um dos enigmas contínuos que as autoridades do Fed, em particular, estão tentando entender: a expansão do PIB que começou a surpreender para cima, enquanto o crescimento do emprego continua morno.

Os economistas consultados pela NABE, por exemplo, veem um crescimento médio de apenas 29 mil empregos por mês até o final deste ano, com uma "recuperação limitada e gradual" para cerca de 75 mil no próximo ano, abaixo da previsão de 97 mil em junho.

O investimento empresarial, impulsionado pelo aumento de capital destinado à capacidade de computação e à inteligência artificial, pode explicar parte da desconexão.

O investimento previsto "melhorou acentuadamente", segundo a última pesquisa, e agora a estimativa é de que cresça 3,8% este ano, em comparação com 1,6% em junho, e que continue a expandir a uma taxa de 1,7% no próximo ano, de 0,9% previsto em junho.

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