Fabricantes nos EUA têm menos de 5 dias de estoque, aponta relatório

Oferta limitada de chips significa que interrupções na produção no exterior podem novamente levar ao fechamento de fábricas e dispensa de trabalhadores nos Estados Unidos.

Clare Duffy, em Nova York
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Alguns fabricantes que dependem de semicondutores estão com menos de cinco dias de estoque, de acordo com um relatório divulgado na última terça-feira (25) pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, na última indicação da extensão da escassez de chips de computador.

O relatório, baseado em mais de 150 respostas a uma solicitação do Departamento de Comércio por informações de empresas que produzem e usam semicondutores, descobriu que o fornecimento médio de chips detidos pelos fabricantes caiu de 40 dias em 2019 para menos de 5 dias no ano passado.

A oferta limitada significa que interrupções na produção no exterior – como as do clima ou novos surtos de Covid-19 – podem novamente levar ao fechamento de fábricas e dispensa de trabalhadores nos Estados Unidos, segundo o relatório. Ele observa que os estoques são ainda menores em "indústrias-chave".

"A cadeia de suprimentos de semicondutores permanece frágil", afirma o relatório. "A demanda continua superando em muito a oferta."

Uma crise de oferta global desencadeada pela pandemia e clima extremo na Ásia levou à escassez e, em alguns casos, a preços mais altos de carros, iPhones, máquinas de lavar e muito mais – em um momento em que os consumidores nunca foram tão dependentes de dispositivos de tecnologia.

No ano passado, a General Motors foi forçada a interromper temporariamente a produção na maioria de suas fábricas norte-americanas por causa da escassez de chips, e muitas outras montadoras reduziram seus planos de produção.

A secretária de Comércio dos EUA, Gina Raimondo, disse à CNN em dezembro que é improvável que a escassez desapareça “até 2022”. O relatório de terça-feira do Departamento de Comércio descobriu que "os entrevistados não viram o problema desaparecer nos próximos seis meses".

O governo Biden tem trabalhado para sustentar a indústria de fabricação de chips dos EUA, tanto para aliviar os problemas atuais da cadeia de suprimentos quanto para reduzir a dependência dos EUA da produção estrangeira dos componentes cruciais daqui para frente.

O maior gargalo na cadeia de fornecimento de chips é a capacidade das fábricas de semicondutores, chamadas "fabs", um problema que não é facilmente resolvido rapidamente. Ainda assim, alguns fabricantes de chips saltaram para contribuir.

Intel, Taiwan Semiconductor Manufacturing Company e Global Foundries anunciaram planos de investir bilhões de dólares em novas fábricas, incluindo várias nos Estados Unidos. Na semana passada, a Intel anunciou planos de investir mais US$ 20 bilhões para construir um complexo de fabricação de chips nos arredores de Columbus, Ohio.

O presidente Biden pediu ao Congresso que aprove uma legislação para lidar com a escassez global de semicondutores. O Congresso aprovou o CHIPS for America Act, que inclui US$ 52 bilhões em subsídios para apoiar a fabricação doméstica de semicondutores, mas ainda não alocou os fundos.

"Trata-se de segurança nacional, segurança econômica e de empregos", disse Biden na semana passada sobre a necessidade de aumentar a produção de chips nos EUA.

No relatório da terça-feira, o Departamento de Comércio disse que identificou certos produtos semicondutores para os quais os desafios de fornecimento são mais agudos, incluindo "chips lógicos legados" usados ​​em carros, dispositivos médicos e outros produtos e "chips analógicos" usados ​​em sensores de imagem.

"Vamos direcionar nossos esforços para avançar na colaboração com a indústria para resolver gargalos para esses produtos específicos", afirma o relatório.

O relatório provavelmente reforçará aqueles que pedem ao Congresso que direcione recursos para a indústria.

Jordan Crenshaw, vice-presidente do Centro de Engajamento Tecnológico da Câmara de Comércio dos EUA, disse que as descobertas sobre a escassez contínua "destaca a necessidade crítica de os Estados Unidos investirem na expansão da capacidade de semicondutores".

"O Congresso deve trabalhar para implementar e financiar totalmente a Lei CHIPS", disse Crenshaw em comunicado.

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