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BC lança ferramenta para cidadão bloquear abertura de contas em seu nome

Autoridade monetária espera que número de consultas ao Protege Mais cresça rapidamente nos próximos dias, conforme ferramenta se torne mais conhecida

Cristiane Noberto, da CNN Brasil, em Brasília
Sede do Banco Central em Brasília
Sede do Banco Central em Brasília  • 11/06/2024 - REUTERS/Adriano Machado
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O Banco Central lançou nesta segunda-feira (1º) o "BC Protege Mais", ferramenta que permite ao cidadão informar o sistema financeiro que não deseja a abertura de contas em seu nome. A nova utilidade entrou em operação às 10h e já registrou 7.800 ativações, além de 500 mil consultas feitas por instituições financeiras.

A diretora de Cidadania, Supervisão e Conduta do BC, Izabela Corrêa, afirmou que o recurso representa uma nova frente de prevenção a fraudes e de fortalecimento da cidadania financeira.

“É, portanto, uma nova ferramenta, uma ferramenta de prevenção a fraudes, proteção ao cidadão junto ao sistema financeiro. Protege, claro, contra abertura de contas correntes, poupanças, contas de pagamento, em nome de um cidadão ou empresa, e protege também contra a inclusão fraudulenta no nome da empresa como titular ou representante de contas de terceiros”, explicou a diretora em coletiva de imprensa.

Segundo ela, o BC pensa a cidadania financeira em quatro pilares: inclusão, participação, proteção e educação. A diretor aponta que o Protege Mais se insere diretamente no eixo de proteção.

Izabela destacou que o lançamento ocorre em um contexto de aumento de golpes e de ampliação da demanda por ferramentas de controle individual.

Ela disse que o sistema já nasce integrado ao esforço do BC de “aprimorar e atender bem a sociedade”, ampliando transparência, segurança e autonomia na gestão da vida financeira.

Ela ainda destacou que o BC vai trabalhar inclusive com influenciadores digitais a fim de expandir a informação e mais pessoas possam aderir ao novo sistema. 

“Esse é um serviço para o qual, obviamente, nós vamos trabalhar aqui no Banco Central, inclusive com órgãos de imprensa e também com influenciadores, para poder divulgar. A gente precisa que a mensagem do BC Protege Mais chegue a todos os cantos do Brasil, para que aquela população que tem interesse possa aderir”, afirmou.

Como funciona

A ativação é feita dentro do ambiente Meu BC, com login Gov.br. O cidadão acessa o card do BC Protege Mais e pode ativar ou desativar a proteção a qualquer momento.

Quando a proteção está ativada, qualquer instituição financeira que tente abrir uma conta, poupança ou conta de pagamento precisa obrigatoriamente consultar o BC. A resposta será automática: "O titular declarou que não deseja abertura de conta naquele momento".

Se o próprio cidadão quiser abrir uma conta, ele pode desativar temporariamente a proteção, concluir o processo e depois reativar. Também é possível deixar programada a reativação para o dia seguinte.

O sistema funciona em tempo real — ativações e desativações valem imediatamente, e as consultas feitas pelas instituições financeiras retornam de acordo com o status vigente naquele instante.

Além disso, o cidadão poderá consultar quais instituições financeiras buscaram seu CPF, identificando tentativas legítimas ou suspeitas de abertura.

Para empresas, o serviço pode ser ativado por sócios, representantes ou colaboradores cadastrados no módulo de empresas do Gov.br.

Início da operação

Izabela explicou que o sistema para instituições passou a funcionar à meia-noite, enquanto a interface do cidadão foi disponibilizada apenas às 10h. Por isso, parte das 500 mil consultas iniciais ocorreu antes de qualquer ativação pelos usuários.

Mesmo assim, o BC registrou 263 negativas de abertura nas primeiras horas — casos em que a instituição consultou o CPF e o sistema retornou que a pessoa havia ativado a proteção.

Complemento a outras ferramentas

A diretora ressaltou que o BC Protege Mais se soma ao conjunto de relatórios disponíveis no Registrato, que inclui o relatório de Contas e Relacionamentos (CCS), no qual o cidadão verifica todas as contas já existentes em seu nome.

O Protege Mais, por sua vez, atua sobre aberturas futuras e mostra quem tentou abrir.

Para Izabela, o sistema é parte de um esforço contínuo de ampliar a transparência ativa e passiva do BC, incluindo pesquisas bianuais e mais de 100 milhões de relatórios financeiros já emitidos pelo Meu BC.

Prevenção, regras e efeitos

O chefe do Departamento de Atendimento Institucional, Carlos Eduardo Rodrigues, detalhou que o principal objetivo da ferramenta é prevenir golpes e fraudes, fenômenos que, segundo ele, são amplamente subnotificados porque as vítimas sentem vergonha de relatar que fizeram transferências indevidas ou pagaram boletos falsos.

Ele explicou que o sistema atende a dois propósitos:

  • Bloquear fraudes de identidade: impede que criminosos abram contas usando dados vazados;
  • Evitar abertura de contas indesejadas: mesmo fora do contexto de golpe, o cidadão tem o direito de não se vincular a determinada instituição.

Carlos Eduardo reforçou que o sistema foi criado com base em resoluções do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central, que tornam obrigatória a consulta por parte das instituições financeiras.

Descumprimentos serão analisados na supervisão de conduta, podendo gerar penalidades conforme a legislação vigente.

Como ocorre a consulta

Durante o processo de abertura de conta — seja em aplicativo, seja em canal físico — a instituição envia uma mensagem eletrônica ao BC.

O sistema verifica o status:

  • Proteção desativada: a conta pode ser aberta;
  • Proteção ativada: o banco recebe a informação de que o cidadão declarou que não deseja abertura.

O cidadão pode ativar e desativar a proteção quantas vezes quiser ao longo do dia. Pode também programar a reativação automática.

Integração com o CCS

Carlos Eduardo enfatizou que o Protege Mais não altera contas já existentes.

Contas abertas antes do lançamento continuam aparecendo no relatório do CCS, mesmo que tenham sido abertas de forma fraudulenta.

A orientação é usar as duas ferramentas juntas:

  • CCS: verifica contas já abertas;
  • BC Protege Mais: impede novas aberturas e mostra quem tentou abrir.

Volume de consultas e escala

Ele destacou que o Brasil registra, em média, 10 milhões de novos relacionamentos financeiros por mês, segundo dados do CCS.

Por isso, o BC espera que o número de consultas ao Protege Mais cresça rapidamente nos próximos dias, conforme a ferramenta se torne mais conhecida.

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