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    Selic: economistas veem impacto positivo na Bolsa com corte agressivo esperado

    Banco Central anunciou corte de 0,5 ponto percentual nos juros, na primeira redução em um ano, e taxa fica agora em 13,25%

    Juliana EliasIasmin PaivaAmanda Sampaioda CNN

    São Paulo

    Em seu primeiro corte nos juros em um ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) optou, nesta quarta-feira (2), por fazer um corte considerado arrojado, de 0,5 ponto percentual.

    Com isso, a taxa Selic cai, agora, de 13,75% ao ano para 13,25%.

    Embora o início do ciclo de redução fosse dado como certo por economistas, havia pouca certeza em torno de qual poderia ser a magnitude: se o BC optaria por um primeiro corte mais parcimonioso, de 0,25 ponto, ou se partiria com uma redução mais agressiva, de 0,5 ponto.

    A decisão pelo caminho mais acelerado não chegou a ser uma surpresa e era esperada por grande parte dos analistas, além de ser defendida por muitos deles.

    Havia uma ampla ala dos economistas, entretanto, que pregava por um primeiro passo mais cauteloso neste início de ciclo de queda da Selic.

    “A gente tinha que ir com cautela, e por isso começar com um corte de 0,25 teria sido mais adequado, para não perder um processo de ancoragem das expectativas de inflação que apenas começou e ainda não terminou”, disse o economista Lívio Ribeiro, pesquisador da Fundação Getulio Vargas e sócio da consultoria BRCG.

    De acordo com ele, modelos econômicos semelhantes aos usados pelo próprio BC sugerem que, para conseguir deixar a inflação na meta no ano que vem, o Copom sequer deveria cortar os juros agora.

    “Pela nossa conta, se o Banco Central mantivesse os juros parados em 13,75% até o meio do ano que vem, a inflação chegaria a 3,2% só no fim de 2025”, disse Ribeiro.

    A meta de inflação do país para esses anos é de 3%, com uma banda de tolerância que vai de 1,5% a 4,5%.

    As projeções feitas pela BRCG apontam que, com uma Selic a 12% ao fim deste ano e 9,5% no próximo, conforme projeta o mercado, a inflação deve ficar acima de 4% até o fim de 2025, pelo menos.

    “Apesar da atividade econômica mostrar sinais de desaceleração, as expectativas de inflação seguem ainda acima da meta de 3%, tanto para 2024, que é o horizonte relevante para a condução de política monetária, como também para 2025 e 2026”, destacou Flávio Serrano, economista-chefe do Banco BMG, que contava com o corte de 0,25 ponto neste encontro.

    Impacto no câmbio

    De acordo com o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, embora tenha benefícios, o corte mais forte e, portanto, juros que ficarão menores mais rápido, podem ter consequências, também, para o câmbio, podendo fazer o dólar subir nas próximas sessões.

    “O corte de 0,5 mostra que o BC já se sente mais confortável com o patamar atual da inflação e que pode fazer um ciclo de redução de juros mais acelerado, mas isso tende a depreciar um pouco mais o nosso câmbio”, disse.

    “Foi o que acabamos de ver acontecer no Chile, que fez um corte de juros mais forte do que o esperado, e logo viu sua taxa de câmbio se desvalorizar.”

    Levantamento feito pelo Itaú, que pregava pelo corte de 0,25, indicou que o dólar, no geral, subiu com mais força depois das reuniões em que o Banco Central decidiu por um início de ciclo de redução com cortes fortes.

    “Cautela no início do processo de flexibilização também penaliza menos a taxa de câmbio, o que ajuda na consolidação do processo de desinflação e ancoragem das expectativas adiante”, disse a equipe econômica do Itaú em relatório no começo da semana.

    “De maneira geral, por ser uma moeda historicamente de carrego alto, o real tende a se desvalorizar após o primeiro corte de juros do Copom. Um início de corte mais cauteloso pode atenuar esse efeito.”

    “Natural”

    Para o presidente do 8 Capital Group, Gustavo Favaron, a queda de “apenas 0,5%”, em suas palavras, “é algo que natural diante do cenário apresentado”.

    “Se por um lado o BC se mostrou muito ágil ao subir de modo consistente e sólido a Selic logo no início do processo inflacionário, por outro, ele demonstra velocidade fundamental para dar início ao processo de queda”, disse, ressaltando a necessidade de se evitar uma desaceleração mais forte do que a que já começa a aparecer na economia.

    De acordo com o economista-chefe da Constância Investimentos, Alexandre Lohmann, “o corte de 0,5 ponto já estava precificado” e “em um primeiro momento, o impacto na Bolsa pode ser positivo”, já que juros menores mais rápido tendem a estimular uma migração também mais rápida da renda fixa para a renda variável.

    No longo prazo, porém, o corte mais agressivo agora deve, também, levar a expectativas maiores de inflação para o futuro, em 2024 e 2025.

    “Isso pressiona as taxas de juros [futuras] para cima”, explica Lohmann. “O corte de 0,25 ponto na Selic permitiria uma queda maior dos juros”, conclui.