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    Copom: corte de juros pelo BC é dado como certo por economistas, dúvida é de quanto

    Diretores do Banco Central decidem Selic na quarta-feira (2); taxa está em 13,75%, e pode cair para 13,5% ou 13,25%, de acordo com analistas

    O Copom inicia a reunião nesta terça (1º), e a estende para quarta (2), quando, após as 18h30, publica o resultado e um comunicado justificando a decisão
    O Copom inicia a reunião nesta terça (1º), e a estende para quarta (2), quando, após as 18h30, publica o resultado e um comunicado justificando a decisão 14/02/2023 REUTERS/Adriano Machado

    Juliana Eliasda CNN

    em São Paulo

    Depois de um ano com a Selic, a taxa básica de juros, estacionada nos 13,75%, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deve decidir por promover o primeiro corte nesta semana.

    É esta a ampla expectativa de economistas e especialistas, após os primeiros sinais dados pelo próprio Copom nos comunicados de seu último encontro, em junho.

    A principal dúvida, agora, está em torno de qual deve ser a magnitude do corte.

    Boa parte das casas aposta em uma redução mais cautelosa, de 0,25 ponto percentual; outra parcela acredita que já seja possível ter um corte de 0,5 p.p., e há, ainda, uma terceira ala, dividida entre as duas possibilidades.

    Um consenso entre as várias análises, entretanto, é de que a decisão deverá ser bem longe de unânime, ou seja: uma parte dos diretores do Copom deve votar por um corte mais brando, enquanto outra deve defender uma redução mais agressiva já neste encontro.

    “Nós estávamos convencidos de que o Banco Central começaria seu ciclo [de redução de juros] com um corte parcimonioso de 0,25 ponto”, escreveu o J.P.Morgan em relatório.

    “Mas, após desenvolvimentos recentes, parece igualmente possível que a maioria [do comitê] prefira tanto uma redução de 0,25 quanto uma mudança mais agressiva – e mais frequentemente usada – de 0,5 ponto de corte.”

    As baixas taxas de desemprego, expectativas de inflação ainda altas para o ano que vem e o fato de os bancos centrais dos Estados Unidos e da Europa ainda estarem subindo juros são os fatores mencionados pelo J.P.Morgan para sustentar sua principal aposta, ainda, pelo corte mais brando, de 0,25 ponto, nesta reunião.

    “Entretanto, uma tendência de desaceleração da inflação, alimentada pela normalização das cadeias de produção global e da apreciação do real [frente ao dólar] podem ter aberto espaço para um primeiro movimento mais agressivo”, continua a análise.

    “Nós esperamos que o Copom corte a taxa Selic em 0,25 ponto, para 13,50%”, escreveu o Goldman Sachs. “Avaliamos, entretanto, em 40% a probabilidade de um movimento mais ousado de -0,50 ponto.”

    O Copom inicia a reunião nesta terça (1º), e a estende para quarta (2), quando, após as 18h30, publica o resultado e um comunicado justificando a decisão.

    O Copom é o corpo do BC responsável por analisar a situação econômica do país e, a partir dela, gerir a Selic.

    Ele é formado pelo presidente da instituição, hoje chefiada por Roberto Campos Neto, e por seus oito diretores.

    Este será, também, o primeiro encontro do comitê desde que os dois primeiros indicados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegaram à diretoria do BC, ao lado do corpo indicado pela gestão anterior, do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Em julho, Gabriel Galípolo, ex-secretário do Ministério da Fazenda de Lula, e o Ailton de Aquino Santos, advogado de carreira no BC, assumiram, respectivamente, as diretorias de Política Monetária (Dipom) e de Fiscalização (Difis).

    Por essa razão, o mercado estará especialmente atento às mudanças que possam ocorrer no tom do comunicado do Copom, bem como na composição dos votos acerca do possível corte.

    Itaú, XP e Warren Rena são algumas das outras casas que acreditam no corte de 0,25 ponto agora.

    “Ciclos anteriores que começaram com cautela foram bem-sucedidos em levar a inflação para perto da meta, possibilitando um equilíbrio final de juros mais baixos por mais tempo, e domando as expectativas inflacionárias”, disse a equipe econômica do Itaú.

    “Cortes de juros menos cautelosos, por sua vez, podem levar a uma eventual depreciação da moeda ou à piora nas expectativas de inflação, o que poderia cercear e, no limite, até interromper o processo de desinflação em curso.”