EUA prosseguirão com imposto mínimo global apesar de oposição interna, diz Yellen
Senador Joe Manchin, do partido do presidente Joe Biden, se opôs à ideia, dificultando a sua implementação

Os Estados Unidos vão procurar todas as oportunidades para avançar e aprovar um acordo global de um imposto corporativo mínimo, apesar da oposição de um importante senador democrata, Joe Manchin, ao aumento dos impostos, disse a secretária do Tesouro Janet Yellen.
Yellen disse a repórteres neste sábado (16) que as autoridades financeiras do G20 chegaram a um consenso sobre muitas questões, incluindo a necessidade de abordar uma crise de segurança alimentar cada vez pior, apesar das diferenças sobre a guerra da Rússia na Ucrânia que impediu os líderes de emitir uma declaração conjunta.
Manchin, que detém um voto crucial no Senado, dividido entre 50 senadores do governo e 50 da oposição, disse nesta semana que não apoiaria uma proposta democrata para novos gastos com mudanças climáticas e impostos mais altos para empresas e americanos mais ricos.
Sua oposição pode colocar em risco a aprovação de uma legislação que comprometeria os Estados Unidos a um imposto corporativo mínimo global de 15%, uma parte fundamental de um acordo que Yellen ajudou a negociar com quase 140 países em 2021.
"Estamos muito comprometidos em avançar com isso. Esta é uma iniciativa global realmente importante", disse ela no segundo dia de uma reunião de dois dias do G20 em Bali. "Posso dizer que continuaremos procurando todas as oportunidades possíveis que temos para levar isso adiante".
Ela disse que os Estados Unidos têm um forte incentivo para avançar porque, à medida que outros países promulgam o acordo fiscal, eles estariam tributando os lucros estrangeiros de empresas norte-americanas, enquanto o país estaria deixando "essa receita tributária na mesa em vez de capturá-la".
Yellen disse que é importante que Manchin tenha sinalizado apoio à legislação para reduzir os preços dos medicamentos prescritos para idosos e estender os subsídios que ajudam a manter os custos dos seguros de saúde mais baixos.
Em sua oposição às disposições sobre mudanças climáticas, Yellen disse que o Tesouro apoiaria os planos do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de usar ações executivas e continuaria as iniciativas do Conselho de Supervisão de Estabilidade Financeira para avaliar os riscos representados pelas mudanças climáticas para as instituições financeiras.
Ela também abordou a forte valorização recente do dólar e disse que isso se deve ao crescimento econômico do país, movimentos do Federal Reserve para aumentar as taxas de juros e entradas de capital.
"A posição dos Estados Unidos é que acreditamos em taxas de câmbio determinadas pelo mercado" e raramente é apropriado intervir, disse Yellen, acrescentando que "não vejo isso como uma dessas ocasiões".


