Imposto de Renda x Selic alta: vale a pena declarar perto do prazo final?

Contribuintes podem achar vantajoso pela correção na restituição baseada na taxa básica de juros, mas especialistas alertam os riscos da prática

Manuela Miniguini, colaboração para a CNN Brasil*, São Paulo
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O Imposto de Renda 2026 completa um mês nesta semana com mais de 11 milhões de declarações entregues. Dessa quantidade, 76% tem direito a restituição - o pagamento sobre imposto indevido realizado pela Receita Federal (RF) a partir de 29 de maio, último dia para a prestação de contas.

O pagamento será por ordem de prioridade, o que significa que aqueles que demorarem mais a prestarem contas serão os últimos a receberem a restituição. Esse detalhe pode ser visto como desvantagem para alguns, mas é estratégia de investimento para outros.

De acordo com Eduardo Rodrigues, advogado e sócio da área Tributária no Duarte Tonetti Advogados, o valor da restituição é corrigido a cada lote de acordo com a taxa básica de juros Selic, que hoje está em 14,75%. A atualização no pagamento acontece a partir do mês seguinte ao prazo de entrega final da declaração.

"Isso significa que, em cenários de taxa Selic elevada, o contribuinte que recebe a restituição nos lotes mais tardios acaba tendo um rendimento sobre esse valor que é superior a muitas aplicações de renda fixa conservadoras, uma vez que a correção da restituição é isenta de Imposto de Renda", explica o tributarista.

O advogado explica que isso garante a quem recebe em lotes finais o poder de compra daquele montante, tendo em vista que a taxa de juros o preserva frente à inflação e acresce juros reais no período.

Apesar disso, profissionais não recomendam a prática. "Deixar para a última hora é um risco desnecessário. No corre-corre do último dia, é muito mais fácil esquecer um documento ou pegar o sistema da Receita congestionado", explica Leandro Uemura, executivo da NTW Contabilidade-Liberdade.

Um deslize, mesmo que pequeno, pode trazer consequências. No cruzamento de dados, caso a Receita identifique divergências nas informações, o contribuinte pode cair na malha fina e enfrentar até mesmo multas a partir de R$ 165,74.  "Antecipar a entrega é a melhor forma de evitar  problemas por pura pressa", recomenda Uemura.

Pagamento da restituição

Com base nos cronogramas anteriores, o primeiro lote deve ser liberado em 29 de maio, último dia útil do mês. O Fisco estima que 80% dos contribuintes devem receber até o final de junho. Veja o cronograma:

  • Primeiro lote, em 29 de maio de 2026
  • Segundo lote, em 30 de junho de 2026
  • Terceiro lote, em 31 de julho de 2026
  • Quarto lote, em 28 de agosto de 2026

As restituições serão pagas seguindo a ordem de entrega da declaração. Ou seja, quem declara primeiro, recebe antes.

A legislação também estabelece prioridades na restituição. Veja a ordem de prioridade:

  1. Idosos com mais de 80 anos;
  2. Idosos com 60 anos ou mais e contribuintes com alguma deficiência física ou mental ou moléstia grave;
  3. Cuja maior fonte de renda seja o magistério
  4. Quem utilizar a declaração pré-preenchida e optarem por receber a restituição por meio do sistema de pagamento Pix;
  5. As restituições de contribuintes que, exclusivamente, utilizarem a declaração pré-preenchida ou optarem por receber a restituição por meio do sistema de pagamento Pix;
  6. As restituições dos demais contribuintes.

Seguindo a legislação, como abordado pelos especialistas, cada grupo receberá o montante corrigido pela Selic, preservando, assim, o valor da restituição.

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