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    Ibovespa encerra mês em baixa de 1,16%; dólar acumula desvalorização de 2,99% no período

    Investidores continuaram avaliando as linhas gerais do novo arcabouço fiscal do país apresentado pelo governo na véspera

    da Reuters

    O Ibovespa fechou em queda de 1,77% nesta sexta-feira (31), aos 101.882,2. Na semana, o índice de referência brasileiro mostra desempenho positivo de 3,11%, mas registra queda de 1,16% no balanço do mês.

    O resultado desta sexta-feira se deu em meio a movimentos de realização de lucros após uma sequência de cinco sessões de alta, tendo Lojas Renner entre as maiores quedas, com analistas do Citi enxergando um cenário desfavorável para a companhia, enquanto Vibra foi destaque positivo após leilão da ESGás.

    Investidores também continuaram avaliando as linhas gerais do novo arcabouço fiscal do país apresentado pelo governo na véspera, com certa desconfiança em relação às metas propostas, mas também avaliações de que o plano reduz riscos para a trajetória da dívida.

    Já o dólar recuou 0,55% nesta sexta, cotado a R$ 5,069 na venda. A moeda norte-americana acumula desvalorização de 3,48% na semana, de 2,99% no mês e de 4,00% no trimestre.

    A moeda fechou em baixa pela sexta sessão consecutiva ante o real, refletindo a percepção de que o Brasil é um bom destino para investimentos em função dos juros mais altos.

    O dia também foi marcado pela disputa de investidores pela formação da Ptax de fim de trimestre. Até o início da tarde, a disputa pela Ptax entre comprados (investidores posicionados na alta do dólar) e vendidos (posicionados na baixa) deu o tom dos negócios, ampliando a volatilidade.

    Com a Ptax definida, a moeda norte-americana se manteve no território negativo até o fim do dia, mantendo sua tendência mais recente ante o real.

    Recepção da regra fiscal

    Foi com alívio, preocupação e até euforia que os agentes do mercado receberam a nova regra fiscal na última quinta-feira.

    O novo marco prevê que os gastos do governo não podem ter crescimento acima de 70% do crescimento da receita. Com isso, o avanço das despesas depende diretamente do aumento da arrecadação — que, segundo declarou Haddad em coletiva de imprensa no início da tarde de quinta, não implicará em um aumento da carga tributária, mas em uma “recomposição” da base fiscal do país.

    A proposta ainda está sendo analisada com maior profundidade e agora mercado muda atenção para os sinais do congresso nacional na tramitação do projeto por lá.

    Em resposta à principal notícia de ontem, Ibovespa fechou em alta de 1,89%, aos 103.713,45 pontos, e o dólar caiu 0,73%, para R$ 5,09. Por causa disso, pode ser que o dia seja de correção no mercado — e de alta volatilidade, já que a sessão também guarda o fechamento da Ptax de fim de mês e trimestre.

    A Ptax é uma taxa de câmbio calculada pelo Banco Central que serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros costumam tentar direcioná-la para níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas ou vendidas em dólar,

    Segundo Guilherme Esquelbek, da Correparti corretora, essa disputa deve gerar “muita volatilidade” nesta sexta, mas ele ponderou que os vendidos, que apostam na queda do dólar, pareciam se sobressair.

    Para a equipe da Nova Futura, a dinâmica no mercado local parece bastante incerta, dada a fragilidade do rali da véspera, que parece ter refletido a visão de que “um arcabouço ruim é melhor do que nenhum arcabouço”, enquanto há dúvidas sobre como o governo atingirá a trajetória de superávit primário projetada.

    “Prever quando tal percepção pode acabar é impossível”, afirmou a corretora em nota a clientes.

    No exterior, os gastos do consumidor dos Estados Unidos são destaque. Segundo informou o Departamento de Comércio norte-americano, o dado — que responde por mais de dois terços da atividade econômica do país — aumentou 0,2% no mês passado, deixando investidores em estado de alerta para os próximos passos do Federal Reserve (o banco central dos EUA).

    Na semana passada, o Fed elevou sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, mas indicou que estava prestes a interromper novos aumentos nos custos de empréstimos em um aceno para a turbulência do mercado financeiro.

    Publicado por Tamara Nassif. Com informações da Reuters.