Tirar recurso do FGTS prejudica comprador, diz Abrainc
Durante evento INC Interior Paulista, associação manifestou preocupação com proposta do governo federal que pode desvirtuar finalidade do fundo e impactar setor habitacional
A Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) manifestou preocupação com a proposta do governo federal de utilizar recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para reduzir o endividamento das famílias.
A declaração foi feita durante o evento INC Interior Paulista, que discutiu temas relacionados ao mercado imobiliário.
Segundo Luiz França, presidente da Abrainc, a possível liberação de R$ 17 bilhões do FGTS para ajudar trabalhadores endividados é preocupante e desvirtuaria a finalidade original do fundo.
França destacou que o anúncio de um aporte de R$ 20 bilhões para o programa Minha Casa Minha Vida, feito pelo governo, não compensaria o impacto dessa medida no setor habitacional.
França alertou sobre as consequências dessa decisão: "Se você tira dinheiro do Fundo de Garantia, você vai prejudicar, no caso da habitação, o comprador do imóvel em um país onde você tem um déficit habitacional de 5,8 milhões de moradias, sendo grande parte desse déficit habitacional na baixa renda".
Desafios do setor imobiliário
O setor imobiliário já enfrenta diversos desafios, como as altas taxas de juros que encarecem o crédito para os compradores de imóveis, além de outras questões como o fim da escala 6x1 que também afeta o segmento.
Roberto Cerato, diretor de Habitação da Caixa, reconheceu que o uso do FGTS para abatimento de dívidas pode trazer impactos para o setor, mas lembrou que o fundo conta com um orçamento recorde neste ano. Segundo ele, o programa Minha Casa Minha Vida terá cerca de R$ 145 bilhões disponíveis para utilização.
Apesar do cenário desafiador com juros elevados, incertezas geopolíticas e a possibilidade de recursos do FGTS serem destinados a outras finalidades que não a habitação, Cerato mantém-se otimista e prevê um boom imobiliário.
Luiz França também destacou a importância da educação financeira no contexto da renegociação de dívidas: "A mesma renegociação que vai ser feita agora, ela tem que ser feita e tem que ser de uma maneira educativa, para que a pessoa saiba que não adianta você ter reduzido o seu empréstimo, ter aumentado o prazo do seu empréstimo e você tomar o novo empréstimo. Então, isso aqui vai muito da educação financeira das pessoas".


