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    FMI diz não acreditar que Brasil vai atingir déficit zero em 2024; Haddad reforça compromisso com meta

    Fundo também estima que proporção dívida versus PIB do Brasil também volte a crescer em 2023

    Brasil deve apresentar déficit primário de 1,2% do PIB em 2023
    Brasil deve apresentar déficit primário de 1,2% do PIB em 2023 REUTERS/Yuri Gripas

    Aline Bronzati, enviada especial, do Estadão Conteúdo

    O Fundo Monetário Internacional (FMI) traçou nesta quarta-feira (11) um cenário menos pessimista para a situação fiscal do Brasil, mas diz não acreditar que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vai conseguir zerar o déficit das contas públicas em 2024, como ele prometeu.

    Apesar dessa previsão, Haddad reiterou que vai cumprir as metas primárias e que isso será possível por meio de medidas adicionais para aumentar as receitas.

    Segundo o relatório Monitor Fiscal, divulgado na quarta-feira, em meio às reuniões anuais do Fundo e do Banco Mundial, que acontecem em Marrakesh, no Marrocos, a instituição disse esperar que o Brasil apresente déficit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023, voltando ao vermelho após registrar superávits nos últimos dois anos.

    Dívida

    Para 2024, o FMI ainda vê o país no negativo, com um déficit primário de 0,2% do PIB.

    O Brasil colocaria as suas contas no azul somente em 2025, quando deve registrar superávit primário de 0,2%, prevê a organização.

    A partir daí, o Fundo vê o país em superávit até 2028.

    Quanto à dívida brasileira, apesar de melhorar sua projeção, o FMI segue pessimista.

    O Fundo – que leva em conta os títulos do Tesouro em posse do Banco Central – espera que a proporção dívida versus o PIB do Brasil também volte a crescer neste ano, para 88,1% – em junho, essa projeção era de 88,4%.

    Esse dado é um dos principais indicadores de solvência de um país e avaliado de perto pelas agências de classificação de risco. No ano passado, a relação dívida/PIB do Brasil ficou em 85,3%.

    Ainda que cresça menos, o Brasil seguirá com uma das maiores dívidas como proporção do PIB. Conforme os cálculos do FMI, o país só não perde para economias como Argentina – que tem um programa bilionário junto ao Fundo – e Egito.

    À frente, a expectativa do organismo é ainda mais negativa. O Fundo vê essa relação chegando ao patamar de 90,3% em 2024, avançando até 96,0% em 2028.

    Tanto o FMI quanto o Banco Mundial aproveitaram o encontro anual para alertar sobre a importância de os países cuidarem das contas públicas.

    De acordo com as instituições, passada a pandemia, agora é preciso fechar as torneiras dos gastos, ainda que haja muita pressão no horizonte por suporte público em um ambiente de inflação elevada e que corrói o poder de compra dos consumidores.

    “Isso é realmente importante”, advertiu Ajay Banga, presidente do Banco Mundial.

    Compromisso

    Em posicionamento ao Comitê do Fundo Monetário Internacional (IMFC, na sigla em inglês), Haddad voltou a afirmar que o Brasil vai zerar o déficit primário até o fim de 2024 e entregar um superávit de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, último ano do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Veja também: Mercado projeta déficit fiscal até 2026