Christopher Garman: Impasse sobre IOF pode levar a novas reformas fiscais?
Diretor-executivo para as Américas do grupo Eurasia avalia possibilidades de mudanças estruturais para reequilíbrio das contas públicas após crise com aumento de imposto regulatório
O recente impasse sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) pode ter aberto uma janela de oportunidade para novas reformas fiscais no Brasil, embora essa possibilidade ainda seja limitada. A análise é de Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do grupo Eurasia, parceira oficial de conteúdo do site do WW, que avaliou o cenário político e econômico após a crise desencadeada pelo anúncio do governo de aumentar o imposto regulatório.
Segundo Garman, a equipe econômica liderada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está buscando transformar uma situação adversa em oportunidade. O anúncio do aumento do IOF gerou forte oposição do setor privado e do Congresso Nacional, com ameaças de revogação do decreto, o que levou a um processo de negociação entre as lideranças legislativas, o Palácio do Planalto e a equipe econômica.
Alternativas em discussão
Na mesa de negociação, há desde medidas pontuais para cobrir o déficit orçamentário de 2025, até propostas mais estruturantes visando solucionar o problema fiscal previsto para 2026. Entre as medidas estruturantes em discussão, destacam-se: a revisão do piso para os gastos com educação e saúde; possíveis alterações no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb); e a limitação das concessões do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
No entanto, Garman ressalta que a aprovação de qualquer uma dessas propostas enfrenta desafios significativos. Além de necessitar da aprovação do presidente Lula, é preciso um sinal claro do Congresso de que há chances reais de aprovação, o que não é fácil em um ano pré-eleitoral, dado o caráter politicamente controverso dessas medidas.
Corte de gastos tributários como alternativa
Diante desse cenário, o analista aponta que o caminho mais provável para o governo é focar no chamado "corte de gasto tributário". Isso implica na eliminação de benefícios tributários concedidos a diversos setores, o que representaria um ajuste via aumento da carga tributária.
Contudo, mesmo essa solução enfrenta obstáculos. Cada grupo beneficiado por concessões e regimes tributários especiais tem capacidade de lobby e defende seus interesses no Congresso Nacional, tornando difícil a implementação de mudanças significativas.
Garman conclui que, embora não haja uma solução ideal para o problema fiscal de 2026, a crise gerada pelo impasse do IOF ao menos iniciou um debate sobre reformas fiscais necessárias. Esse debate certamente ganhará força em 2027, indicando que, apesar dos desafios imediatos, o tema permanecerá na agenda política e econômica do país nos próximos anos.



