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    Guedes: reforma tributária é a mais importante a ser feita pelo governo

    Segundo o ministro, a proposta já foi aprovada pela Câmara, mas está parada no Senado

    Segundo Paulo Guedes, impostos sobre folha de pagamento são “armas de destruição em massa de empregos”
    Segundo Paulo Guedes, impostos sobre folha de pagamento são “armas de destruição em massa de empregos” José Cruz/Agência Brasil

    Elis Barreto*da CNN

    em Brasília

    O ministro da economia, Paulo Guedes, afirmou em entrevista a uma rádio, nesta segunda-feira (19) que a reforma tributária é a mais importante para o governo. Guedes foi perguntado também sobre qual a privatização seria a prioritária em um possível segundo mandato do presidente Jair Bolsonaro (PL), mas não respondeu.

    “Você pergunta qual a mais importante, eu considero a tributária. Nós estamos tentando uma reforma tributária em partes, porque reduzimos impostos sobre combustíveis sobre telecomunicações, sobre transportes, sobre o setor elétrico, que são os impostos indiretos.”, afirmou o ministro.

    Guedes completou ainda que os impostos sobre folha de pagamento são “armas de destruição em massa de empregos”. O ministro atribuiu a alta carga tributária trabalhista a existência dos 38 milhões de invisíveis durante a pandemia que levaram o governo a criar o auxílio emergencial.

    “Eram pessoas que vendiam coisas nos sinais, vendiam garrafas de água nos jogos de futebol, e de repente essas atividades acabaram e surgiram 38 milhões de invisíveis brasileiros, que trabalham, acordam cedo. Esses impostos perversos nós temos que eliminar.”, destacou o ministro.

    Guedes finalizou reafirmando que o Brasil tem uma dinâmica própria de crescimento, e mesmo que a economia global enfrente uma recessão no ano que vem, o Brasil não deve ser afetado.

    “Nós temos condições de crescer 3% de novo, daí para frente, em dois, três, quatro ou cinco anos, tranquilamente, se nós seguirmos com a nossa agenda de transição para uma economia de mercado de consumo de massa.”, disse Guedes.

    Banco Central

    O ministro disse ainda que o Banco Central errou ao falar “o tempo inteiro” no ano passado que havia risco fiscal no país, argumentando que falhas da autoridade monetária teriam ocorrido por erros técnicos e não por militância.

    Segundo o ministro, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, é muito competente, mas estava falando sobre o quadro fiscal “enquanto eu estava preocupado com o monetário”.

    Em entrevista à Rádio Guaíba, Guedes também afirmou que o governo fará “a despedalada final” no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) nesta semana, mencionando que o banco de fomento tem que devolver de 80 a 90 bilhões de reais ao Tesouro Nacional.

    IPI

    O ministro da Economia voltou a afirmar também que um dos objetivos do governo é o de acabar com o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Segundo ele, os impostos sobre a agroindústria também devem ser reduzidos.

    Entretanto, Guedes não detalhou quais serão diminuídos e quando isso deve ocorrer.

    Carteira verde e amarela

    Guedes também voltou a defender a criação da carteira de trabalho verde e amarela, com redução de encargos para a contratação de trabalhadores. Essa proposta foi enviada ao Congresso e rejeitada pelos parlamentares.

    “Nenhum governo transferiu mais recursos para os mais frágeis. Fizemos a maior redução de pobreza dos últimos 40 anos”, disse o ministro.

    Novas críticas aos analistas do mercado financeiro

    Guedes também voltou a declarar que os analistas que têm errado as projeções para a economia brasileira também têm feito previsões catastróficas para o País em 2023.

    “Nos mudamos a dinâmica de crescimento da economia brasileira. Com concessões e privatizações, já existe um novo eixo para economia. Temos R$ 900 bilhões de investimentos contratados para os próximos 10 anos. Quem previa recessão em 2022 já fez 10 revisões de crescimento do PIB para cima. Alguns militantes estão só fazendo a ‘rolagem da desgraça’ para 2023. Dependendo do resultado da eleição, pode ser que a desgraça dê certo”, insistiu o ministro.

    Reforma administrativa

    Guedes voltou a afirmar que o governo realizou uma reforma administrativa invisível, com 40 mil funcionários a menos, e sem a concessão de reajustes salariais para os servidores durante a pandemia. Na avaliação dele, as mudanças no RH do Estado contam com “todo o apoio” do funcionalismo.

    “Os servidores públicos no Brasil acumularam reajustes com aumento real de 50% nos últimos 17 anos. Pedimos para ele nos ajudarem sem a concessão de reajustes durante a pandemia já que estavam trabalhando em casa, no home office. A reforma administrativa tem todo o apoio do funcionalismo que conversa com a gente”, disse.

    O ministro também voltou a declarar que a mudança na legislação tributária é a mais importante das reformas. Ele afirmou que a proposta tem potencial para aumentar o potencial de crescimento da economia, com mais eficiência e tributando os mais ricos.

    Segundo Guedes, o Brasil é um dos países mais digitalizados do mundo, pagou o auxílio emergencial digitalmente, enquanto nos Estados Unidos diversas pessoas ainda recebem cheques pelo correio. “O Banco Central dos Estados Unidos está vindo ao Brasil para ver como implementamos o Pix. Somos um exemplo para o mundo”, disse.

    Devolução do BNDES ao Tesouro

    O ministro da Economia voltou a cobrar que o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) faça uma devolução final, até o fim desta semana, de R$ 90 bilhões à União. Na agenda dele, constava ainda nesta terça-feira uma reunião com o presidente da instituição, Gustavo Montezano, às 15h.

    Guedes tem dito publicamente que dos R$ 500 bilhões aportados pelos governos petistas no banco público, R$ 410 bilhões foram devolvidos e ainda faltam R$ 90 bilhões.

    “Vamos usar esse dinheiro do BNDES para reduzir a dívida pública. Com a devolução final pelo BNDES, relação entre a dívida pública e o PIB volta para patamar de quando chegamos aqui”, disse o ministro.

    *Com Reuters e Estadão Conteúdo