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Enel: Como funciona processo de caducidade? Entenda os próximos passos

Medida é forma unilateral pelo Poder Público para cessar efeitos de um contrato

João Nakamura, da CNN Brasil, em São Paulo
Ilustração de uma pessoa cortando um fio de energia VESTINDO UMA LUVA; no poste, uma placa com o logo da Enel
Lei 8.987 de 1995 dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos, e define o rito para a perda de contrato  • Ilustração gerada por IA
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Após a ventania histórica que atingiu São Paulo na última semana, o contrato de concessão da Enel para distribuição de energia na região será colocado em xeque pelo governo federal.

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) vai iniciar o processo de caducidade do contrato da Enel, anunciaram o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), o governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em coletiva nesta terça-feira (16).

A caducidade é um ato declarado de forma unilateral pelo Poder Público para cessar os efeitos de um contrato. Porém, a mera declaração não é suficiente para o processo tramitar, ele deve ser formalizado de modo que se garanta o direito ao contraditório, ou seja, a ampla defesa por parte do alvo do processo — neste caso a Enel.

As concessões de distribuição de energia são responsabilidade do Poder Executivo Federal, sendo a Aneel a agência fiscalizadora das operações, por sua vez utilizando como base as normas do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética).

Como funciona o processo de caducidade?

A lei 8.987 de 1995 dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos, e define o rito para a perda de contrato.

O texto define que a caducidade poderá ser declarada pelo poder concedente do contrato quando:

  • O serviço estiver sendo prestado de forma inadequada ou deficiente, tendo por base as normas, critérios, indicadores e parâmetros definidores da qualidade do serviço - neste caso aferidos pela Aneel;
  • A concessionária descumprir cláusulas contratuais ou disposições legais ou regulamentares concernentes à concessão;
  • A concessionária paralisar o serviço ou concorrer para tanto, ressalvadas as hipóteses decorrentes de caso fortuito ou força maior;
  • A concessionária perder as condições econômicas, técnicas ou operacionais para manter a adequada prestação do serviço concedido;
  • A concessionária não cumprir as penalidades impostas por infrações, nos devidos prazos;
  • A concessionária não atender a intimação do poder concedente no sentido de regularizar a prestação do serviço;
  • A concessionária não atender a intimação do poder concedente para, em 180 dias, apresentar a documentação relativa a regularidade fiscal, no curso da concessão.

Antes de instaurado o processo administrativo, a concessionária deve ser comunicada "detalhadamente" sobre os descumprimentos, além de receber um prazo para corrigir as falhas e transgressões apontadas.

Após todo esse trâmite, e comprovada a inadequação da empresa, a caducidade é declarada, não resultando ao poder concedente qualquer responsabilidade em relação aos encargos, ônus, obrigações ou compromissos com terceiros ou com empregados da concessionária.

O que aconteceu?

Na última quarta-feira (11), a capital e a região metropolitana de São Paulo foram atingidas por uma ventania histórica, com rajadas que atingiram 98 km/h e duraram cerca de 12 horas. Em balanço divulgado pela Enel, o ciclone e ventania deixaram mais de 2,2 milhões de pessoas sem energia em SP.

Após falhas consideradas graves e estruturais, o Procon paulistano multou a concessionária em R$ 14,2 milhões por infrações às normas de defesa do consumidor relacionadas à prestação do serviço de energia elétrica na capital paulista.

A FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) estima que as perdas em faturamento nos setores de comércio e serviços chegaram a R$ 2,1 bilhões com o apagão.

A tensão e cobranças escalaram até a esfera política, onde executivos municipal, estadual e federal trocaram apontamentos sobre responsabilidade pelo processo em torno da Enel e os problemas na região.

CNN Brasil tenta contato com a Enel.

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