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    Ibovespa fecha semana com perdas de 3,21%; dólar recua a R$ 5,25 nesta sexta

    Cenário global pesou na aversão a riscos dos investidores, com a turbulência do setor bancário ainda se fazendo presente, enquanto no ambiente doméstico, manutenção da Selic em patamar elevado repercutiu no mercado

    Alta do dia não foi suficiente para reverter as perdas acumuladas na semana, marcada por reprecificação de expectativas otimistas em relação à trajetória da Selic e novos ruídos institucionais no Brasil
    Alta do dia não foi suficiente para reverter as perdas acumuladas na semana, marcada por reprecificação de expectativas otimistas em relação à trajetória da Selic e novos ruídos institucionais no Brasil Foto: Amanda Perobelli/Reuters (25.7.2019)

    Da CNN

    O Ibovespa fechou em alta de 0,92% nesta sexta-feira (24), aos 98.829,27 pontos, um dia após renovar mínimas desde julho de 2022, mas o movimento não foi suficiente para reverter as perdas acumuladas na semana, marcada por reprecificação de expectativas otimistas em relação à trajetória da Selic e novos ruídos institucionais no Brasil.

    A recuperação, porém, pode ser cerceada pela cena externa, com o retorno da aversão a risco no exterior por causa da crise bancária, e a escalada de tensões entre o governo federal e o Banco Central (BC).

    Na semana, o índice acumula perdas de 3,21%, período que também marcou o recuo no patamar dos 100 mil pontos.

    Já o dólar encerrou o dia em queda de 0,75%, cotado a R$ 5,250 na venda, com participantes do mercado aproveitando as cotações mais altas para internalizar recursos e ajustar posições, enquanto no exterior a moeda norte-americana subia em meio à turbulência trazida pelo Deutsche Bank.

    Com a derrocada das ações do banco alemão, pressionadas pela alta no custo de seguro contra inadimplência de seus títulos, a expectativa era de que o dólar passasse por mais uma sessão de alta nesta sexta-feira, com investidores em busca de segurança.

    Isso chegou a ocorrer no início do dia, mas exportadores aproveitaram o dólar à vista acima dos 5,30 reais para vender moeda, o que colocou as cotações para baixo. Além disso, investidores que estavam comprados (posicionados na alta do dólar) no mercado futuro aproveitaram para realizar lucros, o que também pesou sobre as cotações.

    Às 9h43, o dólar à vista marcou a maior cotação da sessão, de 5,3426 reais (+1%), em meio ao estresse global com o Deutsche Bank, mas depois as cotações foram caindo até que perto das 11h30 a moeda já oscilava no território negativo.

    “Tivemos um fluxo positivo com dólar a 5,30 reais, houve bastante venda de exportador, tanto no pronto (moeda à vista) quanto no futuro. Na medida que vai vendendo, o dólar dá uma desacelerada”, disse Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora. “O dia até que começou nervoso, com o dólar em alta, mas contra fluxo não há argumentos”, acrescentou.

    Outros profissionais ouvidos pela Reuters pontuaram que, com a forte alta do dólar na quinta-feira, em meio às críticas do governo Lula ao presidente do BC, Roberto Campos Neto, era natural que houvesse um ajuste de preços nesta sexta-feira.

    Ao longo do dia, o dólar também perdeu um pouco de força no exterior em relação a algumas divisas de países exportadores de commodities, o que reforçou o viés de baixa para a moeda norte-americana no Brasil.

    Juros

    Ainda que já esperada, a reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à decisão do BC em manter a taxa de juros em 13,75% a.a., em reunião na última quarta-feira (22), desencadeou um “efeito bumerangue” nos mercados na quinta-feira (23).

    “Quem tem que cuidar do Campos Neto é o Senado que o indicou. Ele não foi eleito pelo povo, não foi indicado pelo presidente, ele foi indicado pelo Senado”, afirmou Lula em evento no Rio de Janeiro, acrescentando que “quando tinha [Henrique] Meirelles”, ele falava com o então presidente do BC.

    “Se esse cidadão quiser, nem precisa conversar comigo. Ele só tem que cumprir a lei que estabeleceu a autonomia do Banco Central. Ele tem que cuidar da política monetária, do emprego, da inflação e da renda do povo. É isso que está na lei.”

    Na sequência, o presidente ainda descreditou o plano de integrantes do PCC para realizar ataques contra servidores públicos, que tinha o ex-juiz e atual senador Sergio Moro como um dos alvos.

    O mercado ainda acompanha o resultado do IPCA-15, considerado uma “prévia da inflação”. O indicador do IBGE desacelerou a 0,69% em março, impactado, principalmente, pela reoneração dos tributos federais sobre os combustíveis, que puxaram o grupo de Transportes para cima.

    O cenário global também pesava na aversão a riscos dos investidores, com a turbulência do setor bancário ainda se fazendo presente.

    O fato de vários bancos centrais de países desenvolvidos terem subido os juros nos últimos dias, mesmo diante dos riscos financeiros, colaborava para a cautela, disse a XP Investimentos em nota matinal, citando ainda decepção do mercado com leituras de PMIs na Europa.

    Nos Estados Unidos, por exemplo, ações de grandes bancos como JPMorgan Chase, Wells Fargo e Bank of America caíam entre 1% e 2% no início das negociações.

    Na véspera, o dólar negociado no mercado interbancário subiu 1,02%, a R$ 5,289 na venda. O Ibovespa, por sua vez, fechou em queda de 2,29%, aos 97.926,34 pontos – abaixo da marca de referência de 100.000.

    O Banco Central fará neste pregão leilão de até 16 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 2 de maio de 2023.

    *Publicado por Tamara Nassif e Ana Carolina Nunes. Com informações da Reuters