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    IPCA-15, prévia da inflação, desacelera para 0,04% em junho, diz IBGE

    No acumulado de abril a junho, o IPCA-15 ficou em 1,12%, menos da metade dos 3,04% registrados no mesmo período do ano passado; em 12 meses a variação do índice foi de 3,4%

    Alimentação e bebidas é um dos grupos de despesas com deflação, 0,51%
    Alimentação e bebidas é um dos grupos de despesas com deflação, 0,51% d3sign/Getty Images

    Da CNN*

    São Paulo

    Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, foi de 0,04% em junho, após desacelerar para 0,51% em maioOs dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na manhã desta terça-feira (27).

    O IPCA-E, acumulado trimestral do IPCA-15, ficou em 1,12%, menor que a taxa de 3,04% registrada no mesmo período do ano passado. Nos últimos 12 meses, a variação do IPCA-15 foi de 3,40%, abaixo dos 4,07% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em junho de 2022, a taxa foi de 0,69%.

    Considerando o acumulado de 12 meses, o IPCA-15 aponta para uma maior convergência para a meta de inflação estipulada, de 3,25%, com margem de 1,5 ponto para cima ou para baixo.

    Na análise do Inter Insighs, ainda que em processo mais lento que o esperado, o dado desta terça-feira deve confirmar o início do corte da Selic em 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom e agosto.

    “Em geral, a leitura do IPCA-15 confirma nossa avaliação do cenário atual de desinflação, ainda que mais lenta nos preços dos serviços, mas que deve confirmar o início do corte da Selic em 25 bps (pontos-base) na próxima reunião do Copom em agosto”.

    O IPCA-15 aponta que a maior variação (0,96%) e o maior impacto (0,14 ponto percentual) vieram do grupo Habitação. Já o grupo Transportes (-0,55%), diante da queda do preço dos combustíveis, puxou a variação para baixo. A gasolina (-3,40%) foi o subitem com o maior impacto individual (-0,17 p.p.) no IPCA-15 de junho.

    Segundo nota do IBGE, os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, seis tiveram alta em junho. E além dos Transportes, outros dois grupos registraram queda: Alimentação e bebidas (-0,51%) e Artigos de residência (-0,01%).

    No grupo Habitação (0,96%), destaca-se a alta da taxa de água e esgoto (3,64% e 0,06 ponto) aplicada em capitais como Curitiba, São Paulo, Recife e Belém, e a alta da energia elétrica residencial (1,45% e 0,06 ponto) em Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Salvador. Contudo, houve queda no gás encanado (-0,33%) diante das reduções tarifárias em Curitiba e no Rio de Janeiro.

    Relatório do Bradesco destaca para a aceleração das taxas de Aluguel e Condomínio. “Estes itens têm mostrado certa volatilidade ao longo das divulgações do IPCA-15 neste ano, o que traz cautela na leitura do dado.”

    Em Despesas pessoais (0,52%), sobressai a alta de 6,19% nos jogos de azar, após reajuste médio de 15,00% no valor das apostas. Cinema, teatro e Concertos (1,29%) e pacotes turísticos (1,07%) também registraram alta no mês.

    O resultado do grupo Saúde e cuidados pessoais (0,19%) foi influenciado pela elevação nos preços dos planos de saúde (0,38%), decorrente do reajuste de até 9,63% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em 13 de junho, com vigência a partir de maio de 2023 – e cujo ciclo se encerrará em abril de 2024. Assim, no IPCA-15 de junho foram apropriadas as frações mensais de maio e junho.

    Nos Transportes (-0,55%), a variação negativa foi puxada em grande medida pela queda nos combustíveis (-3,75%).

    Além da gasolina (-3,40%), os demais combustíveis também sofreram recuo nos preços: óleo diesel (-8,29%), etanol (-4,89%) e gás veicular (-2,16%). Além disso, os preços do automóvel novo caíram 0,84% e contribuíram com -0,03 p.p. no índice do mês.

    Em análise, o Bradesco destaca a queda menos intensa de automóvel novo – já com influência dos descontos concedidos aos consumidores, e avalia que “a deflação em automóveis deve se intensificar no IPCA fechado de junho, levando o número à deflação”.

    Ainda em Transportes, as passagens aéreas registraram alta de 10,70%, após queda de 17,26% em maio. E a alta de 0,99% em ônibus urbano deve-se ao reajuste de 33,33% em Belo Horizonte.

    Também houve deflação no grupo Alimentação e bebidas (-0,51%). A alimentação no domicílio registrou queda (passando de 1,02% em maio para -0,81% em junho) enquanto na alimentação fora de casa houve desaceleração nos preços (de 0,73% para 0,29%).

    “É um contexto que reforça cautela com ritmo de desinflação. Por outro lado, vale ressaltar que a surpresa altista se concentrou em itens específicos. Para 2024, nossa projeção segue em 5,6%, com viés de baixa”, aponta o Bradesco.

    Em relação aos índices regionais, quatro áreas tiveram alta em junho. A maior variação foi registrada em Recife (0,45%), por conta das altas da energia elétrica residencial (8,21%) e da taxa de água e esgoto (4,61%). Já a menor variação se deu em Goiânia (-0,66%), influenciada pela queda de 4,42% da gasolina.

    Projeções

    Na segunda-feira (26) os economistas ouvidos pelo Banco Central para o Boletim Focus fizeram uma nova rodada de redução das estimativas para a inflação. Para o fim de 2023, a mediana das expectativas aponta para um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,06% ao ano, ante 5,12% há uma semana.

    Para os anos seguintes, novas reduções: de 4% para 3,98% em 2024; manutenção em 3,8% para 205 e queda de 3,8% para 3,72% em 2026.

     

    *Publicado por Dimalice Nunes

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