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    Juros do cartão de crédito atingem 447% ao ano em abril, maior valor em seis anos, diz BC

    Taxa do rotativo subiu 83,7 pontos porcentuais em um ano; em março de 2017 a taxa estava em 490% ao ano, acima da atual

    Juro do rotativo é o maior em seis anos
    Juro do rotativo é o maior em seis anos Eric Gaillard/Reuters

    Samantha Kleinda CNN

    Brasília

    Os juros cobrados pelas instituições financeiras nas operações com cartão de crédito subiram para 447,7% ao ano em abril, confirmando trajetória de alta constante desde dezembro de 2020. A alta foi de 14,4 pontos em relação a março e de 83,7 pontos em relação a 12 meses. Os dados fazem parte das estatísticas monetárias e de crédito, divulgadas na manhã desta terça-feira (30) pelo Banco Central (BC).

    Segundo o BC, esse é o maior patamar em seis anos. Em março de 2017 a taxa estava em 490% ao ano, acima da atual.

    O rotativo é a modalidade mais cara do mercado financeiro e – em geral, é utilizado pelos usuários de cartão de crédito que não conseguem pagar a fatura por completo e optam pelo pagamento mínimo, gerando juros sobre juros.

    A taxa média de juros das novas contratações de crédito alcançou 32,2% ao ano em abril, com incrementos de 0,4 ponto no mês e de 4,4 ponto comparativamente a abril do ano passado. O spread bancário – a diferença entre o valor que as instituições bancárias pagam pelo dinheiro e o valor que cobram nas operações de crédito – das novas contratações alcançou 21,9 pontos, aumento de 0,8 ponto no mês e de 4,3 pontos em doze meses.

    O BC também mostra que a taxa média de juros das operações de crédito com recursos livres aumentou, e atingiu 45,1% em abril ante 44,3% ao ano em março. No acumulado de 12 meses, a elevação é de 7,2 pontos percentuais. As operações com recursos livres não incluem o crédito rural, habitacional e linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES).

    O saldo de crédito a pessoas físicas somou R$ 1,8 trilhão em abril, expansão de 0,3% no mês e de 13,9% em doze meses. Esse movimento decorreu dos incrementos nas carteiras de crédito pessoal não consignado (+1,8%), crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor público (+0,6%) e crédito pessoal consignado para aposentados e pensionistas do INSS (+0,9%), basicamente. Em sentido oposto, houve redução de 1,5% na carteira de cartão de crédito à vista.

    Nas contratações das empresas, os juros médios alcançaram 23,9% o ano, queda de 0,2 ponto e incremento de 1,5 ponto em doze meses. Nas contratações realizadas com pessoas físicas, os juros médios registraram elevação mensal de 1,1 ponto e de 9,8 pontos em doze meses, atingindo 59,7% ao ano.

    O Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo médio de todo o crédito do sistema financeiro nacional, subiu para 22,4% ao ano, alta de 0,3 ponto no mês e de 2,5 pontos em 12 meses.

    Inadimplência

    A inadimplência da carteira de crédito total aumentou 0,1 ponto em abril, para 3,4%.

    Para as pessoas jurídicas a inadimplência aumentou 0,2 ponto no mês e 0,8 ponto em doze meses, atingindo 2,3%.

    Já na carteira de pessoas físicas, a inadimplência subiu 0,2 ponto no mês e 0,7 pontos em doze meses, para 4,2%.

    Com isso, o endividamento das famílias atingiu 48,5% em abril. O comprometimento de renda aumentou 0,3 ponto no mês e 1,6 ponto em doze meses, para 27,7%.

    Volume de operações

    Em abril, o saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$ 15,1 trilhões, ou 147,8% do PIB, alta de 0,6% no mês, devido principalmente à alta de 2,5% do saldo dos títulos públicos. Na comparação interanual, o crédito ampliado cresceu 10,7%, prevalecendo as elevações na carteira de empréstimos do sistema financeiro, 11,3%, e dos títulos de dívida, 12,1%.

    O crédito ampliado a empresas atingiu R$ 5,2 trilhões (51,2% do PIB), diminuição de 0,5% no mês, influenciada principalmente pela queda dos empréstimos da dívida externa, 3,2%, em função da apreciação cambial de 2,4%. Em relação a abril de 2022, a expansão de 11,9% do crédito ampliado a empresas refletiu principalmente os aumentos de 31,6% em títulos de dívida e de 5,1% na carteira de empréstimos do sistema financeiro.

    O crédito ampliado às famílias apresentou redução de 0,4% no mês, situando-se em R$ 3,5 trilhões (34,5% do PIB) em abril, com expansão de 15,1% em doze meses, refletindo o incremento nos empréstimos do sistema financeiro.