Ações de Trump elevam incerteza, diz economista

Danilo Igliori analisa primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump, marcado por embates comerciais, tensões institucionais e questionamentos sobre autonomia do Fed

Da CNN Brasil
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O segundo mandato de Donald Trump completou um ano nesta terça-feira (20), período marcado por intensas mudanças e embates comerciais que transformaram significativamente o cenário econômico global.

Durante o período, Trump implementou diversas medidas vistas pelo mercado como controversas, começando com o anúncio de tarifas para China, México e Canadá logo em fevereiro de 2025, menos de um mês após assumir o cargo.

O que se seguiu foi uma verdadeira guerra comercial, especialmente com a China, até que ambos os países começaram a avançar em negociações.

Em abril de 2025, no chamado "Dia da Libertação", Trump expandiu os pacotes de tarifas para incluir diversos outros países, entre eles o Brasil e nações da União Europeia. Em julho, o Senado norte-americano aprovou o "One Big, Beautiful Bill", pacote de corte de impostos e gastos que era prioridade para o governo.

Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad, analisou esse primeiro ano de mandato destacando um paradoxo: "Temos dois elementos importantes que mostram algo pouco estranho. De um lado, quando seguimos essa lista de eventos, o nome que vem à cabeça é incerteza. Teve muita ação impactante potencialmente para a economia, principalmente relacionada às tarifas".

Por outro lado, Igliori ressalta que os indicadores econômicos concretos contam uma história diferente: "Quando olhamos para os indicadores econômicos, temos uma inflação que, se não convergiu para a meta, também não repicou. A taxa de desemprego subiu, mas ainda está em nível muito baixo. A taxa de juros começa a cair e o PIB tudo indica que vai crescer acima de 2%".

Desafios institucionais e tensões com o Fed

Um dos aspectos mais preocupantes desse primeiro ano foi o embate de Trump com instituições norte-americanas, especialmente com o Fed (Federal Reserve).

Em julho de 2025, Trump ameaçou demitir o presidente da autarquia, Jeremy Powell, após meses de críticas públicas. A situação escalou em agosto, quando demitiu Lisa Cook, membro do conselho do Fed, gerando um embate judicial sobre a independência da autoridade monetária.

Outro marco desse período foi o shutdown governamental ocorrido entre outubro e novembro de 2025, o mais longo da história norte-americana, resultando em demissões em massa no serviço público. Em janeiro de 2026, os Estados Unidos atacaram a Venezuela e capturaram Nicolás Maduro, que segue preso em território americano.

Impactos econômicos e perspectivas

Um dos efeitos mais notáveis das políticas de Trump tem sido a desvalorização do dólar a nível global.

Segundo Igliori, isso está relacionado à incerteza institucional e à forma como os EUA têm usado sua posição hegemônica: "Muita gente começou a tirar recursos dos Estados Unidos e diversificar geograficamente de uma forma melhor. Resultado: dólar para baixo. É bem possível que essa dinâmica continue em 2026".

A questão da autonomia do Federal Reserve permanece como ponto crítico para o futuro próximo, especialmente com o fim do mandato de Powell previsto para maio.

"A pergunta agora está em cima do nome que vai substituir Powell e, mais do que isso, se essa pessoa vai ou não se dispor a representar a Casa Branca dentro do Banco Central", alerta o economista.

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