Alas do governo se unem ao pedirem negociações com EUA sobre tarifas

Ao mesmo tempo, presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou regulamentação da Lei da Reciprocidade, estabelecendo critérios para suspensão de concessões comerciais e de investimento

Da CNN Brasil, em São Paulo
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou o decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade, mas sem citar diretamente os Estados Unidos. Governistas defendem as negociações como primeira opção.

Em artigo publicado no The New York Times, o advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que a decisão de Donald Trump de tarifar o Brasil em 50% é desproporcional e contraria às regras do comércio justo — minando a segurança jurídica para empresas e investidores.

Mas pediu a construção de relacionamento construtivo e pragmático, em que a parceria seja escolhida ao invés da provocação e arbitrariedade.

O vice-presidente e ministro do Comércio e da Indústria, Geraldo Alckmin, endossou as declarações de Messias. Alckmin destacou que, antes da tarifa de 50% ser anunciada, o governo tinha feito uma proposta de negociação sobre as taxas — que, até hoje, não foi respondida.

Ele ressaltou que precisa ouvir o setor privado e que as negociações continuam. "Vamos também marcar com entidades e empresas americanas, porque temos uma integração em cadeia", disse Alckmin em coletiva.

Governistas defendem que caso a tarifa de 50% dos Estados Unidos seja cobrada, o Brasil precisaria tomar algumas medidas de retaliação aos americanos. Uma das alternativas ventiladas seria criar restrições comerciais para alguns produtos enviados aos americanos.

Para ampliar o leque de respostas de Lula, o governo também avança no decreto de regulamentação da Lei da Reciprocidade — que tinha sido aprovada pelo Congresso em abril.

Segundo o ministro Rui Costa, a medida já foi assinada por Lula e não cita nenhum país específico. A lei estabelece critérios para a suspensão de concessões comerciais e de investimento, além de obrigações relativas aos direitos de propriedade intelectual.

Mas o governo reforça o desejo de negociar com os Estados Unidos antes de tomar alguma medida retaliatória.

* publicado por Danilo Cruz

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