Análise: contas públicas é um assunto "não sexy"

Fernando Nakagawa destaca que o desequilíbrio nas finanças brasileiras é questão crucial, mas candidatos tendem a evitar o assunto por não render votos

Da CNN Brasil
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O jornalista Fernando Nakagawa destacou a urgência do equilíbrio fiscal no Brasil, classificando as contas públicas como um tema de extrema importância, porém pouco atrativo em períodos eleitorais.

"O que precisamos discutir do ponto de vista econômico é o velho problema das contas públicas. É um assunto urgente, porque a gente como sociedade nós gastamos mais do que se arrecada de maneira sistemática e por isso a dívida pública não para de crescer", afirmou Nakagawa durante participação no programa Bastidores da Notícia da CNN Brasil.

Segundo o jornalista, a questão fiscal se agrava pelo efeito dos juros elevados, que chegam a 15%, impactando ainda mais o crescimento da dívida pública brasileira. Apesar da gravidade do tema, Nakagawa acredita que ele será tratado de maneira superficial durante o período eleitoral: "Me parece que eleitoralmente este assunto simplesmente não será tratado ou se for tratado vai ser tratado de maneira muito lateral, porque é um assunto 'não sexy', não gera voto".

Impopularidade de medidas fiscais

Na análise de Nakagawa, propor cortes de gastos ou ajustes nas contas públicas pode ser prejudicial para candidatos em busca de votos. "Falar "eu vou cortar aqui, vou cortar acolá" não gera voto, ao contrário, você toca em temas que são sensíveis ao eleitorado, aos setores da sociedade e da economia", explicou.

O jornalista ressaltou que, apesar da pouca atenção durante as eleições, existe um consenso entre políticos, economistas e acadêmicos sobre a necessidade de mudanças na forma como as contas públicas são administradas no Brasil. "Todo mundo do mundo político, do mundo econômico, da academia, entende que é preciso mudar a maneira com que as contas públicas são feitas no Brasil", destacou.

Para Nakagawa, independentemente do resultado eleitoral, o tema voltará com força após as eleições. "Provavelmente será discutido muito pouco na eleição, mas independentemente de quem ganhar, algo terá de ser feito meio que imediatamente após as eleições, seja ainda este ano de 2026 ou no começo do próximo ano", concluiu.

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