Análise: EUA têm déficit com a União Europeia há quase 30 anos
Contexto histórico de déficit americano contribuiu para a disposição europeia em aceitar um acordo considerado praticamente unilateral
Os Estados Unidos e a União Europeia chegaram a um acordo comercial histórico neste domingo (27), marcado pelo reconhecimento mútuo do desequilíbrio nas relações comerciais entre as partes.
O superávit europeu em relação aos americanos atingiu mais de US$ 200 bilhões no último ano, mantendo uma tendência que persiste desde o início da série histórica do censo norte-americano, em 1997.
Este contexto histórico de déficit americano contribuiu para a disposição europeia em aceitar um acordo considerado praticamente unilateral, com condições que favorecem mais os Estados Unidos do que a União Europeia.
O consenso sobre este desequilíbrio foi evidenciado nos pronunciamentos de Ursula von der Leyen e Donald Trump.
O acordo abre perspectivas para novas negociações comerciais dos Estados Unidos com outros países.
A Coreia do Sul já tem encontro marcado com o secretário de comércio americano para a próxima semana, sinalizando uma possível aceleração nas negociações comerciais antes do prazo de 1º de agosto.
No entanto, o Brasil enfrenta um cenário diferente. As negociações brasileiras permanecem estagnadas, principalmente devido a fatores políticos que se sobrepõem às questões comerciais.
Efeitos no acordo Mercosul-UE
Especialistas em relações internacionais indicam que o acordo entre Estados Unidos e União Europeia pode impactar negativamente as negociações entre Mercosul e o bloco europeu.
Há possibilidade de que este acordo seja relegado a segundo plano na lista de prioridades da UE, reduzindo a urgência para sua conclusão até o final do ano.
O Brasil pode perder poder de negociação tanto com os Estados Unidos quanto com a União Europeia.
Alguns produtos brasileiros podem ser substituídos por alternativas europeias com tarifas menores, diminuindo assim a dependência do mercado americano em relação aos produtos brasileiros.


