Análise: Lula mira informais com Desenrola Adimplentes
Programa do governo Lula deve gerar despesa de R$ 4 bilhões e, na avaliação de Edilene Lopes, faz parte de estratégia eleitoral voltada aos 40 milhões de trabalhadores informais no Brasil
O governo federal anunciou nesta segunda-feira (29) o programa "Desenrola Adimplentes", voltado à resolução de dívidas de brasileiros que pagam em dia. A iniciativa deve gerar uma despesa de aproximadamente R$ 4 bilhões, valor que será transferido aos bancos participantes.
"O presidente Lula mira os trabalhadores informais. São 40 milhões de brasileiros e isso envolve manicures, pedreiros, pintores e autônomos. Eles são um pilar importante da economia brasileira e não são trabalhadores com carteira assinada", destacou a analista de política Edilene Lopes, durante o Hora H desta segunda-feira (29).
Para Edilene, o Desenrola Adimplentes não é uma ação isolada, mas parte de um conjunto de iniciativas com forte componente eleitoral. "Nós vimos recentemente, o Move Brasil, que destina crédito para financiamento de veículos sustentáveis, elétricos, híbridos, flex, que são voltados também para motoristas de aplicativo e para entregadores", lembrou.
A analista avaliou que o esforço se intensifica com a aproximação do período eleitoral e representa também uma tentativa de resgatar as raízes históricas do Partido dos Trabalhadores na mediação das relações trabalhistas.
"Agora há uma informalidade muito maior e o PT tenta se comunicar com esses trabalhadores de alguma forma para também parte do eleitorado", disse Edilene.
Outro ponto destacado pela analista é o desafio de alcançar brasileiros das camadas populares que não são atendidos por programas sociais. Segundo ela, muitos desses trabalhadores afirmam pagar impostos enquanto outros recebem benefícios. "O desafio do presidente Lula e do PT é alcançar essa população que se sente injustiçada", afirmou.
Edilene também apontou uma dimensão defensiva no lançamento do programa. Segundo ela, adversários políticos devem explorar o tema da inadimplência nas eleições, alegando que o governo bateu recordes nesse indicador.
Ao lançar o "Desenrola Adimplentes", o governo busca antecipar esse ataque, podendo alegar que está prevenindo a inadimplência e reduzindo juros para que as pessoas honrem seus compromissos.
"Todos esses componentes juntos vão ter, sim, algum impacto eleitoral e, se não tiverem, vai ser uma frustração para o governo", concluiu a analista.


