Análise: O que acontecerá quando a guerra no Oriente Médio terminar?

Últimos meses foram marcados por diversas promessas de paz vagas, levando os negociadores a manter os preços do petróleo em alta

David Goldman, da CNN
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado (23) que a paz com o Irã está próxima e que o Estreito de Ormuz será reaberto.

O Irã tem adotado, por sua vez, uma postura inflexível em relação à reabertura total do Estreito — sua principal arma de pressão durante a guerra.

Mas se este for realmente o fim da guerra e o Estreito de Ormuz estiver prestes a reabrir, o que acontecerá a seguir? Quando os preços voltarão aos níveis pré-guerra?

A verdade é que não há uma resposta exata.

 

Primeiro, os cerca de 166 petroleiros presos no Golfo Pérsico precisam sair, carregando cerca de 170 milhões de barris de petróleo, segundo Matt Smith, analista-chefe de petróleo da Kpler. Isso abrirá caminho para que petroleiros vazios entrem no Estreito, carreguem e saiam.

De acordo com Victoria Grabenwöger, analista sênior de petróleo da Kpler, o retorno à capacidade total de transporte de petroleiros pode levar até três meses.

Segundo, reduzir os estoques.

A boa notícia: as refinarias foram pragmáticas em relação ao armazenamento e nunca encheram completamente os estoques. Isso deve reduzir parte do tempo que levaria para reiniciar as bombas. No entanto, estoques mais cheios do que o normal ainda atrasarão a retomada da produção de petróleo à capacidade total.

Terceiro: Recomeçar a produção. Os poços de petróleo do Oriente Médio foram amplamente fechados durante a guerra. Ligar a produção não é como apertar um interruptor. É um desafio complexo de engenharia que envolve física e trabalho que pode levar várias semanas.

A produção precisará ser reiniciada — lentamente — para garantir que os reservatórios de petróleo bruto não entrem em colapso, exigindo perfuração adicional e reparos substanciais. A água e o gás injetados nos poços precisam ser reequilibrados, o que é uma tarefa delicada.

Como os poços na região são grandes e próximos uns dos outros, o reinício da produção exigirá uma coordenação significativa entre empresas e países para garantir que a pressão da água e do gás injetados permaneça consistente em vários poços.

Quatro: Reparos. Diversas refinarias, produtoras de gás natural e algumas produtoras de petróleo foram danificadas durante a guerra no Oriente Médio. Algumas empresas petrolíferas afirmaram que os reparos na infraestrutura crítica danificada podem levar anos para serem concluídos.

Questões complexas

Tudo isso pressupõe que a guerra tenha terminado e que não haja mais interrupções no Estreito.

Os últimos meses foram marcados, porém, por diversas promessas de paz vagas, levando os negociadores a manter os preços do petróleo em alta. Inclusive, em 18 de abril, o Irã concordou em reabrir o Estreito, mas horas depois determinou que os Estados Unidos e Israel haviam violado a parte do acordo e, mais uma vez, começaram a disparar contra navios que tentavam passar.

Além disso, as empresas de navegação precisarão se sentir seguras para enviar navios pelo Estreito.

As seguradoras aumentaram os preços dos seguros marítimos em milhares de pontos percentuais e podem não estar dispostas a oferecer cobertura acessível enquanto a situação permanecer precária.

O que acontecerá com os preços do petróleo e gasolina?

Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em pouco mais de US$ 100 por barril na sexta-feira (22).

Analistas do JPMorgan, que estimam que o Estreito seja aberto no início de junho, preveem que o petróleo terá uma média de US$ 97 por barril durante o restante do ano. Historicamente, o Brent precisa estar na faixa de US$ 60 para que a gasolina custe US$ 3 por galão, apontou Michael Green, estrategista-chefe da Simplify Asset Management. O mercado futuro atualmente não prevê que isso aconteça antes de 2032.

Além disso, o Irã já questionou a declaração de Trump de que os navios poderão voltar a transitar livremente pelo Estreito.

"Embora o Irã tenha concordado em permitir que o número de embarcações que passam retorne aos níveis pré-guerra, isso não significa, de forma alguma, "livre passagem" como existia antes da guerra", informou a agência de notícias estatal iraniana Fars.

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