Petróleo fecha em queda com expectativas de negociação entre EUA e Irã
Preço da commodity foi pressionado pelo otimismo em torno de um possível acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz
Os preços do petróleo fecharam em queda nesta segunda-feira (25), chegando a atingir a menor cotação em duas semanas durante a sessão, pressionado pelo otimismo em torno de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz.
A perspectiva de redução dos riscos de interrupção na oferta global levou investidores a desmontarem posições defensivas, em sessão marcada por liquidez reduzida devido ao feriado do Memorial Day nos EUA e ao feriado bancário no Reino Unido.
O petróleo Brent para agosto, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em queda de 6,78% (US$ 6,79), a US$ 93,42 o barril. O contrato de julho do Brent, que vence nesta segunda-feira e chegou a oscilar acima de US$ 100 mais cedo, fechou abaixo desse patamar.
Já o petróleo WTI não operou em pregão regular por conta do feriado nos EUA, mas o contrato para julho registrava queda de 6,70%, a US$ 90,13 o barril no pregão eletrônico da Nymex, em Nova York, por volta das 14h30 (de Brasília). O petróleo WTI chegou a operar abaixo de US$ 90 por barril pela primeira vez desde 7 de maio.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no sábado que Washington e o Irã haviam negociado, em grande parte, um entendimento sobre um acordo de paz que reabriria a rota comercial do Estreito de Ormuz, responsável por um quinto das remessas globais de petróleo e gás natural liquefeito antes do conflito.
No entanto, várias questões difíceis permanecem, com Trump afirmando no domingo que havia instruído seus representantes a não se precipitarem em nenhum acordo.
"O déficit de oferta subjacente de 10 a 11 milhões de barris de petróleo bruto por dia não desaparece imediatamente e fará com que os mercados continuem a reduzir os estoques até que a produção de petróleo bruto do Oriente Médio volte a funcionar, o que levará meses", disse June Goh, analista da Sparta Commodities.
Na segunda-feira (25), ambos os lados minimizaram as expectativas de um avanço iminente. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que ou haverá um bom acordo ou Washington lidará com o Irã de "outra maneira".
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou na segunda-feira que o Irã está negociando o fim da guerra e que não está discutindo questões nucleares no momento.
Os analistas preveem que o retorno ao fluxo normal de petróleo pelo estreito levará meses, enquanto as instalações de petróleo e gás danificadas são reparadas.
"Continuamos acreditando que os principais fatores a serem observados pelo mercado de petróleo devem ser os fluxos físicos de petróleo; e até o momento, os fluxos através do Estreito permanecem restritos", disse o analista da UBS, Giovanni Staunovo.
Na segunda-feira, dois navios-tanque carregados com gás natural liquefeito estavam saindo do Estreito, rumo ao Paquistão e à China.
Já no sábado (23), um superpetroleiro com petróleo bruto iraquiano deixou o Golfo em direção à China, após ficar retido por quase três meses, segundo dados de navegação.
As empresas de energia dos EUA responderam ao aumento dos preços locais da energia adicionando plataformas de petróleo e gás natural pela quinta semana consecutiva, algo inédito desde fevereiro de 2025.
O número de plataformas de perfuração, um indicador antecipado da produção futura, aumentou em sete, chegando a 558 na semana encerrada em 22 de maio, o maior número desde junho de 2025.
Mesmo assim, a Baker Hughes afirmou que o total ainda está oito plataformas abaixo, ou 1%, em comparação com o mesmo período do ano passado.
*Com informações da Reuters


