Análise: Transportes e alimentos pressionam inflação de março
Segundo análise de Débora Oliveira, ao Live CNN, aumento de preços dos combustíveis, impactados pela guerra, e de alimentos sazonais elevaram índice acima do esperado; nos EUA, alta da gasolina é a maior desde 1967
A inflação brasileira registrou alta de 0,88% em março, ficando acima da expectativa do mercado, que previa um aumento de 0,77%. O índice foi impulsionado principalmente pelos setores de transportes e alimentos, com forte influência da guerra na Ucrânia nos preços dos combustíveis. A análise é de Débora Oliveira, ao Live CNN.
O conflito impactou diretamente o grupo de transportes, com alta significativa da gasolina (4,59%) e do diesel. "Era esperado, desde quando a gente começou essa guerra, quando a gente viu aquela disparada do petróleo, que isso realmente pudesse acontecer", explicou.
Além dos combustíveis, o setor de alimentos também pressionou o índice. O leite longa-vida registrou aumento de 11,74%, enquanto o tomate disparou 20,31%. Segundo a analista, esses aumentos têm relação com fatores sazonais e climáticos que afetam as safras. "Existe uma questão de sazonalidade, clima, que acaba afetando safra, dificultando um pouco mais e isso recai sobre o preço de alimentos específicos", destacou.
Impacto do diesel nos alimentos
O aumento do diesel também tem efeito indireto nos preços dos alimentos, já que o Brasil depende majoritariamente do transporte rodoviário para distribuição. "Se a gente está falando de diesel mais caro, automaticamente também vai recair no produto final, no alimento, porque a gente depende de transporte rodoviário para poder levar esse alimento para o supermercado", explicou Débora.
No acumulado de 12 meses, a inflação brasileira chegou a 4,12%, aproximando-se do teto da meta inflacionária de 4,5%, o que torna o cenário mais desafiador para a política monetária do país.
Cenário internacional semelhante
A pressão inflacionária não é exclusividade brasileira. Nos Estados Unidos, o índice de inflação CPI capturou pela primeira vez o efeito completo da guerra em um mês fechado, com resultados alarmantes. A gasolina nos EUA subiu 21%, o maior aumento desde 1967, enquanto o diesel teve alta de 30%.
Entre os poucos itens que registraram queda de preços no Brasil estão o café (-1,28%), a maçã e o seguro voluntário de veículo (-2,43%). Os pacotes turísticos também ficaram 3,34% mais baratos, embora esse benefício seja parcialmente anulado pelo aumento de 6,08% nas passagens aéreas, impactadas pelo encarecimento do querosene de aviação.
A analista apontou que uma possível redução do dólar, que fechou a R$ 5,06, pode trazer alívio futuro para alguns itens importados, como o trigo utilizado na fabricação de pães. No entanto, esse efeito não é imediato: "Esse efeito do dólar agora mais barato, a gente só vai sentir um pouco mais lá na frente. E isso pode trazer um certo equilíbrio".


