PMI empresarial dos EUA é o pior dos últimos 11 meses em meio à guerra

Conflito no Oriente Médio aumenta preços e contribui para declínio de empregos no setor privado

Lucia Mutikani, da Reuters
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A atividade empresarial dos Estados Unidos desacelerou para o nível mais baixo em 11 meses em março, conforme a guerra ​no Oriente Médio aumentou os preços de energia e de outros ​insumos, segundo uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (24), reforçando temores de uma aceleração da inflação nos próximos meses.

A pesquisa da S&P Global também mostrou uma deterioração na confiança, que contribuiu para o primeiro declínio no emprego do setor privado em pouco mais de um ano.

Os resultados, à primeira vista, sugeririam uma fraqueza persistente do mercado de trabalho, embora dados mais recentes, como os pedidos semanais de auxílio-desemprego, tenham permanecido consistentes com condições estáveis.

"Os dados da pesquisa PMI preliminar de março sinalizam uma combinação indesejável de crescimento mais ⁠lento e aumento da inflação após a eclosão da ​guerra no Oriente Médio", disse Chris Williamson, economista-chefe de negócios da S&P Global Market Intelligence.

"As empresas estão relatando ​um impacto na demanda devido à incerteza adicional e ao impacto no custo de vida gerado pelo conflito."

A S&P Global disse ⁠que seu Índice de Gerentes de Compras (PMI) composto preliminar dos ⁠EUA, que acompanha os setores de manufatura e serviços, recuou para 51,4 neste mês. Esse foi o ​nível ‌mais baixo desde abril passado e seguiu-se a uma leitura de 51,9 em fevereiro.

O PMI caiu por dois meses consecutivos, mas ⁠a leitura acima de 50 ainda indica expansão no setor privado. A desaceleração deste mês foi no setor de serviços, com o PMI preliminar caindo de 51,7 em fevereiro para 51,1. Os economistas consultados pela Reuters estimavam que o PMI de serviços tivesse diminuído para ‌51,5.

A ⁠atividade industrial melhorou, com ‌o PMI preliminar subindo para 52,4, de 51,6 em fevereiro, e contrariando as expectativas dos economistas de uma queda para 51,3, refletindo em parte "um certo abrandamento do impacto das tarifas sobre as carteiras de pedidos"

Preços mais altos de insumo

A guerra dos EUA e ⁠Israel com o Irã fez com que os preços do petróleo ⁠subissem mais de 30%, e os preços médios nacionais da gasolina aumentaram quase US$1 por galão, alimentando temores de inflação.

A S&P Global disse que sua medida de ‌preços pagos pelas empresas por insumos saltou de 60,0 em fevereiro para 63,2 este mês, com as empresas de serviços e manufatura relatando aumentos, "amplamente ligados ao aumento dos custos de energia relacionados à guerra e ao aperto das condições de fornecimento".

Esses preços mais altos foram repassados aos consumidores. Um indicador de preços de produção subiu de 56,9 em fevereiro para 58,9. ‌A S&P Global disse que os indicadores de preços da pesquisa indicaram que a inflação dos preços ao consumidor está voltando para cerca de 4%.

Os economistas estão se preparando para um aumento na inflação, com os preços ao produtor subindo antes ⁠do conflito no Oriente Médio. Na semana passada, o Federal Reserve deixou as taxas de juros inalteradas e projetou uma inflação mais alta, desemprego estável e uma única redução nos custos de empréstimos este ano.

"O Fed precisará, portanto, fazer malabarismos com a intensificação desses ​riscos de alta para a inflação contra o risco crescente de a economia perder o ímpeto de crescimento, com muito dependendo da ​duração da guerra e de seu impacto sobre os preços da energia e as cadeias de suprimentos globais", disse Williamson.

A medida de emprego do setor privado da pesquisa caiu para 49,7, a primeira contração em 13 meses, de 50,4 em fevereiro, puxada para baixo pelos setores de serviços e atribuída às empresas que reduziram "despesas ‌gerais no clima econômico incerto".

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