Banco Mundial reduz previsão de crescimento global devido à guerra

Banco reduziu previsões para dois terços dos países como resultado da guerra, com maiores cortes afetando Emirados Árabes Unidos, Iraque e outros países do Oriente Médio cujas exportações de energia foram afetadas

Por Andrea Shalal, da Reuters
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O Banco Mundial reduziu nesta quinta-feira (11) sua previsão de crescimento global para 2026 a 2,5% devido à guerra no Oriente Médio, e afirmou que a expansão pode ​desacelerar para apenas 1,3% caso as interrupções no abastecimento de energia se revelem mais graves ​e sejam acompanhadas de tensões significativas nos mercados financeiros.

O crescimento global atingiu 2,9% em 2025, informou o banco em seu relatório semestral “Perspectivas Econômicas Globais”, um aumento de 0,2 ponto percentual em relação à estimativa de janeiro. Sua previsão para 2026 é 0,1 ponto percentual inferior à de janeiro, a mais baixa observada desde o início da pandemia de Covid no final de 2019.

O banco reduziu as previsões para dois terços dos países como resultado da guerra, com os maiores cortes afetando os Emirados Árabes Unidos, o Iraque e outros países do Oriente Médio cujas exportações de energia foram duramente afetadas pelo conflito.

A perspectiva sombria do Banco Mundial surge no momento em que ⁠a guerra iniciada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ​ao Irã em 28 de fevereiro se arrasta pelo quarto mês.

Ela provocou um aumento acentuado nos preços da energia devido ao fechamento ​do Estreito de Ormuz, renovou as pressões inflacionárias em todo o mundo e alimentou expectativas de uma política monetária mais restritiva em muitos países.

Os preços dos ⁠fertilizantes também subiram acentuadamente, gerando preocupações sobre uma grave crise no abastecimento ⁠de alimentos.

Os preços do petróleo fecharam quase US$ 2 mais altos na quarta-feira, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que ​o ‌país atacaria o Irã “com muita força” se nenhum acordo de paz fosse finalizado, após uma das mais significativas trocas de tiros desde o cessar-fogo de abril.

O Banco Mundial afirmou ⁠que sua previsão básica pressupõe um preço médio do petróleo Brent de US$ 94 para o ano, alta de 36% em relação a 2025, e que as piores interrupções no abastecimento de energia diminuiriam até o final de julho, com a inflação global estimada em 4%.

O banco afirmou que o crescimento pode desacelerar para 2,1% se as interrupções no abastecimento ‌de energia ⁠se prolongarem e os preços ‌do petróleo ficarem em média em US$ 115 por barril este ano, o que pode elevar a inflação para 4,4%.

As perspectivas se agravariam ainda mais, com o crescimento desacelerando para apenas 1,3%, se o choque energético afetar os mercados financeiros, resultando em preços mais baixos da energia, maior volatilidade e menor confiança, afirmou.

“Esses cenários de risco mostram ⁠como as perspectivas podem se deteriorar rapidamente se as pressões de energia e financeiras se ⁠reforçarem mutuamente”, disse Ayhan Kose, vice-economista-chefe do Banco Mundial. Se o choque energético desencadear um choque no mercado financeiro, a confiança pode se deteriorar rapidamente, afirmou ele.

Crescimento é inferior ao da última década

O crescimento ‌global deve melhorar para 2,8% em 2027 e 2028, mas isso permanece 0,4 ponto percentual abaixo das taxas médias observadas durante a década de 2010 devido a uma série de fatores, incluindo crescimento populacional mais lento, crescimento mais fraco do investimento privado, queda do investimento público, aumento da dívida pública e expansão mais lenta do comércio, disse o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill.

“A economia mundial está muito menos resiliente hoje do que em 2008 e mesmo em comparação com 2018”, ‌disse Gill a repórteres, prevendo que os próximos anos serão marcados por alta incerteza política, pressões inflacionárias e taxas de juros elevadas.

O crescimento fraco nas economias em desenvolvimento estagnou o progresso em direção aos níveis de renda das economias avançadas, com dezenas de países em desenvolvimento, excluindo China e da Índia, enfrentando uma “década ⁠perdida” na qual não viram progresso na redução da diferença de renda per capita em relação às economias avançadas, segundo o relatório.

As economias em desenvolvimento foram mais duramente afetadas pela guerra, com o banco projetando agora um crescimento de 3,6% neste ano — o menor nível pós-pandemia —, ante 4,4% em 2025.

O banco manteve sua previsão de crescimento de 2,2% ​para a economia dos EUA em 2026, mas afirmou que esse número pode cair para 2,1% em 2027 e 2% em 2028. A zona do euro deve crescer 0,8% ​em 2026, ante 1,4% em 2025.

O Banco Mundial projetou um crescimento do PIB de 4,2% na China em 2026, uma revisão para baixo de 0,2 ponto percentual, após crescimento de 5% em 2025.

O Banco Mundial reduziu sua previsão para o crescimento do PIB no Oriente Médio, Norte da África, Afeganistão e Paquistão em 2,7 pontos percentuais, para 1,6% em 2026, ante 4% em 2025, mas afirmou que o crescimento na região ‌pode se recuperar para 5% em 2027.

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