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Batalhas por direito autoral sob era da IA entram em ano crucial nos EUA

No ano passado, o New York Times e Disney conseguiram um acordo com o maior pagamento de direitos autorais da história dos EUA

Blake Brittain, da Reuters
  • Reprodução/Canaltech
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A extensa briga judicial sobre a cópia desenfreada de material protegido por direitos autorais feita por empresas de tecnologia para treinar sistemas de inteligência artificial pode ⁠estar entrando em uma fase decisiva em 2026.

Após uma série de novos processos ‍judiciais e um acordo histórico em 2025, o novo ano promete trazer uma onda de decisões que podem definir como a lei de direitos autorais dos EUA se aplica à IA generativa. O que está em jogo é se empresas como OpenAI, Google e Meta podem contar com a doutrina jurídica do uso justo para se protegerem da responsabilidade - ou se devem reembolsar os detentores de direitos autorais, o que pode custar bilhões de dólares.

O conflito aumentou muito no ano passado. New York Times, Disney e outros grandes detentores de direitos autorais entraram com novas ações e os autores conseguiram um ​acordo em um processo coletivo de US$1,5 bilhão com a ⁠Anthropic, o maior pagamento de direitos autorais da história dos EUA.

Pela primeira vez, juízes federais norte-americanos também começaram a decidir se ‌o treinamento de IA generativa se qualifica como uso justo, o que permite o uso limitado e não autorizado de material protegido por direitos autorais em determinadas circunstâncias. As primeiras decisões foram mistas, ressaltando a incerteza ⁠tanto para os detentores de direitos autorais quanto para o setor de tecnologia.

DECISÕES DIVIDIDAS

Os réus em quase todos os ‌casos ‍argumentaram que seus sistemas de IA fazem uso justo de material protegido por direitos autorais, transformando-o em algo novo.

Em junho, o juiz distrital dos EUA William ‍Alsup, em San Francisco, considerou o uso de livros pela Anthropic para treinamento de IA "essencialmente transformador", apoiando a empresa em um fator importante de uso justo. A lei de direitos autorais "busca promover trabalhos originais de autoria, não proteger os autores contra a concorrência", escreveu ele.

Mas Alsup também considerou a empresa responsável por armazenar milhões de ⁠livros pirateados em uma "biblioteca central" não vinculada ao treinamento - o que expunha a Anthropic a uma possível responsabilidade de até 1 trilhão de dólares antes do acordo de dezembro.

Dois dias depois, o juiz Vince Chhabria, também em San Francisco, decidiu a favor da Meta em um caso semelhante, mas alertou que o treinamento em IA "em muitas ‌circunstâncias" não se qualifica como uso justo. Ele expressou preocupação com o fato de ​que a IA generativa pode "inundar o mercado" com conteúdo, minando os incentivos para criadores humanos - um objetivo central da lei de direitos autorais.

Alsup descartou os temores de danos ao mercado, comparando-os ⁠à reclamação de que "treinar crianças em idade escolar para escrever bem" cria concorrência. Chhabria, por outro lado, viu a IA generativa como uma possível ameaça existencial aos mercados criativos.

O QUE VEM A SEGUIR

Mais audiências estão programadas ou provavelmente serão realizadas em 2026 sobre disputas envolvendo a Anthropic e editores de música, Google e artistas visuais, Stability AI e o gerador de música Suno contra as principais gravadoras. Novas decisões podem esclarecer como o uso justo se aplica à IA ou aprofundar a incerteza, e podem ajudar a determinar se as empresas de IA desfrutarão de amplas proteções de uso justo ou enfrentarão um regime de licenciamento que reformulará a economia do setor.

Enquanto isso, alguns dos principais proprietários de direitos autorais concordaram ⁠com acordos de licenciamento com empresas de tecnologia voltadas para IA, traçando um caminho mais cooperativo para resolver essas disputas. Além do histórico acordo de ação coletiva da Anthropic, a Disney concordou, em dezembro, em investir US$1 bilhão na OpenAI e permitir que a startup use personagens da Disney em seu gerador ⁠de vídeo Sora AI. A Warner Music também resolveu suas ações judiciais contra os geradores de música com IA Suno e Udio e concordou em lançar plataformas conjuntas de criação de música com eles em 2026.

A Thomson Reuters, empresa controladora da Reuters News, licenciou o conteúdo da Reuters para a Meta para seus sistemas de IA em 2024. A Thomson Reuters também está envolvida em uma disputa contínua de direitos autorais com a antiga concorrente de pesquisa de temas jurídicos Ross Intelligence sobre o suposto uso indevido de material do Westlaw da ​Thomson Reuters no treinamento de IA.

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