BC e CVM fecham acordo para integração de dados sobre operações de crédito

Um dos focos será monitorar crescente endividamento da população, que tem chamado atenção do governo

Álvaro Augusto, da CNN Brasil*, em Brasília
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O BC (Banco Central) e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) anunciaram, nesta segunda-feira (13), um novo acordo de integração de dados do sistema financeiro, com foco no intercâmbio de informações sobre operações de crédito.

Chamada pelas autarquias de "Acordo de Cooperação Técnica", a iniciativa vai ampliar o total de dados que já são compartilhados, incluindo detalhes de instituições que são reguladas diretamente pela CVM, como companhias securitizadoras.

“Para securitizadoras e fundos de investimento, o aperfeiçoamento do fluxo de informações representa um ganho relevante na análise de crédito, ao possibilitar o acesso a um conjunto mais completo de dados sobre os devedores, contribuindo para decisões mais seguras e para a mitigação de riscos”, diz nota do Banco Central.

Segundo o BC, o uso de informações sobre o mercado de crédito deve contribuir para um acompanhamento melhor do patamar de endividamento tanto de pessoas físicas quanto jurídicas. A autarquia indicou que o acordo vai aumentar a capacidade de avaliação, monitoramento e de identificação de eventuais riscos de crédito.

"Esse aprimoramento informacional confere suporte técnico qualificado às análises e às decisões de natureza macroprudencial adotadas por ambas as autoridades, no âmbito de suas competências legais, em prol da estabilidade do sistema financeiro e do adequado funcionamento dos mercados financeiro e de capitais", disse a nota do Banco Central.

De acordo com a CVM e o BC, o novo acordo de integração vai beneficiar, além dos bancos e instituições de crédito, também as pessoas que desejarem tomar algum empréstimo, por exemplo.

Segundo o BC, a articulação com a CVM "tende a reduzir assimetrias de informação", e, com isso, melhorar as análises de crédito sobre os clientes. Assim, com padrões de risco mais bem calculados, o BC espera que as garantias cobradas pelos bancos fiquem mais baratas no mercado em geral.

Já para empresas de seguros e fundos de investimento, o BC defende que o acordo vai oferecer "um conjunto mais completo de dados sobre os devedores, contribuindo para decisões mais seguras e para a mitigação de riscos".

Em meio a operações policiais que apuram possíveis infrações relacionados ao Banco Master que passavam por contratos de carteiras de crédito fraudadas, o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a afirmar que o governo estudava aumentar o poder de fiscalização do BC, incorporando à autarquia atribuições que estão hoje sob a alçada da CVM. O plano acabou não prosperando.

Na nota desta segunda, o BC afirmou que o acordo de cooperação dá "continuidade a uma colaboração institucional que já ocorre há vários anos entre os dois órgãos."

*Com informações da Reuters; sob supervisão de João Nakamura

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