BCE: Impacto da guerra pode afetar duplamente consumidores da zona do euro

Conflitos na Ucrânia e no Irã moldam expectativas e comportamento, elevando sensibilidade a novos choques econômicos

Francesco Canepa, da Reuters, em Frankfurt
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Os consumidores da zona do euro, já marcados pela guerra ​da Ucrânia, mudaram suas atitudes mais ​rapidamente como resultado da turbulência da guerra no Irã, mostrou uma pesquisa do Banco Central Europeu nesta sexta-feira (2, o que significa que o impacto econômico pode ser mais profundo e mais rápido.

A invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022 causou uma crise energética e ⁠uma inflação da qual ​a Europa havia se recuperado. Mas, em 28 de ​fevereiro, os ataques aéreos israelenses e norte-americanos lançaram uma guerra contra ⁠o Irã que levou a uma ⁠interrupção sem precedentes no fornecimento de energia.

Os pesquisadores do ​BCE ‌analisaram se os consumidores da zona do euro se tornaram ⁠mais sensíveis ao impacto econômico de tal agitação geopolítica e afirmam que as evidências sugerem que sim.

Com base na pesquisa de Expectativas do Consumidor do ‌próprio ⁠BCE, os ‌economistas do banco central descobriram que os consumidores imediatamente aumentaram sua atenção às mudanças de preços quando o conflito no Irã começou, embora ⁠a inflação ainda estivesse em torno ⁠de 2%, a meta do BCE.

Quase metade dos entrevistados na pesquisa disse que estava ‌prestando atenção às mudanças de preços em março de 2026, uma proporção semelhante à de janeiro de 2023, quando a inflação da zona do euro de 8,6% tornava a preocupação em teoria muito ‌mais provável.

"Essas evidências sugerem que os consumidores estão vivenciando a guerra no Irã com uma possível 'cicatriz dupla'", disseram os pesquisadores do ⁠BCE em seu blog, o que não reflete necessariamente a opinião oficial do banco.

"Essas duas cicatrizes podem se reforçar mutuamente e provavelmente moldarão ​as expectativas e o comportamento dos consumidores nos próximos meses, já que ​os conflitos e o aumento da incerteza macroeconômica persistem."

Os economistas disseram que essas cicatrizes, ou memórias de estresse financeiro, podem aumentar a sensibilidade dos consumidores a novos choques.

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