Zona do euro terá forte impacto mesmo com fim rápido da guerra, diz FMI

Crescimento da região ​deve agora desacelerar para 1,1% este ano, abaixo ​da taxa de 1,3% prevista em janeiro

Balazs Koranyi, da Reuters, em Washington
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O crescimento da zona do euro desacelerará este ano e a inflação aumentará, forçando ​o Banco Central Europeu a elevar as taxas ​de juros, mesmo que os problemas econômicos causados pela guerra do Irã desapareçam até meados do ano, disse o Fundo Monetário Internacional nesta terça-feira (14).

Importando a maior parte de suas necessidades de energia, a economia da zona do euro é especialmente vulnerável ao aumento dos custos de energia, principalmente porque a guerra da Rússia na Ucrânia já prejudicou o acesso do bloco ⁠a recursos cruciais.

O crescimento da região ​deve agora desacelerar para 1,1% este ano, de 1,4% em 2025, abaixo ​da taxa de 1,3% prevista em janeiro, já que a guerra mais do que ⁠anula a expansão melhor do que a prevista ⁠no final do ano passado, disse o FMI em seu relatório ​Perspectiva ‌Econômica Mundial.

"O (impacto da guerra) se somará aos efeitos do aumento persistente dos preços da energia ⁠desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, pesando sobre a produção industrial, com pressão adicional da valorização real do euro em relação às moedas de países que exportam produtos semelhantes", disse o ‌FMI.

Ainda ⁠assim, o FMI ‌é mais otimista do que o BCE, que previu um crescimento de 0,9% em seu próprio cenário básico no mês passado, antes de uma rápida retomada em 2027.

Um aumento planejado nos ⁠gastos com defesa atenuará parte do impacto esperado, ⁠mas a alta dos gastos é relativamente lenta, de modo que o impulso provavelmente se concretizará mais tarde, acrescentou ‌o FMI.

Enquanto isso, a inflação saltará de 2,1% no ano passado para 2,6% em 2026, de acordo com a projeção do "cenário básico" do FMI, que pressupõe que a guerra terá duração, intensidade e escopo limitados, permitindo que as interrupções desapareçam em meados de ‌2026.

É provável que a taxa de depósito de 2% do BCE aumente em 50 pontos-base ao longo de 2026 em resposta a esse aumento da inflação, disse o FMI.

Esse ⁠aumento previsto está de acordo com as apostas do mercado e os investidores precificaram totalmente uma alta dos juros até junho, com base na premissa de que o BCE desejará enviar ​um sinal de que não tolerará que a inflação se espalhe além da energia e ​gere uma espiral de preços.

Entretanto, assim como o BCE, o FMI disse que resultados muito piores são possíveis e que seus cenários "adverso" e "grave" apontaram para maiores impactos no crescimento em todo o mundo e um aumento maior da ‌inflação.

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