BoE mantém incerteza sobre futuro dos juros, argumentando choque da guerra

Instituição destacou que os preços globais de energia caíram desde a reunião anterior, mas permanecem voláteis e acima dos níveis observados antes do conflito

Isabella Pugliese Vellani e Sergio Caldas, do Estadão Conteúdo
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O BoE (Banco da Inglaterra) deixou em aberto a trajetória futura dos juros e sinalizou que as próximas decisões dependerão da escala e da duração do choque energético decorrente da guerra no Oriente Médio, bem como de como ele se propagará pela economia britânica, no comunicado divulgado após a reunião de política monetária de junho.

A instituição destacou que os preços globais de energia caíram desde a reunião anterior, mas permanecem voláteis e acima dos níveis observados antes do conflito.

"O impacto do choque energético na economia do Reino Unido permanece incerto. A política monetária está sendo definida para garantir que o ajuste econômico a ele ocorra de forma a atingir a meta de inflação de 2% de maneira sustentável", afirmou o texto.

O presidente do BoE, Andrew Bailey, enfatizou que o banco central reagirá prontamente a sinais de efeitos de segunda rodada mais fortes.

O comunicado ponderou que o risco de efeitos secundários significativos na formação de preços e salários aumenta quanto mais tempo persistirem os preços elevados da energia.

Bailey votou a favor da manutenção dos juros, junto com outros seis dirigentes, enquanto Huw Pill e Megan Greene votaram por um aumento de 25 pb (pontos-base ), para 4%.

O BoE afirmou que o mercado de trabalho continua a se afrouxar e que sinais de enfraquecimento da economia podem conter as pressões inflacionárias.

"As taxas de juros enfrentadas por famílias e empresas permanecem mais altas do que antes do conflito, o que contribuirá para reduzir a inflação ao longo do tempo", acrescentou.

Diante desse cenário, o MPC (Comitê de Política Monetária) disse que seguirá monitorando "de perto" a situação no Oriente Médio e a forma como seus efeitos se transmitem à economia, reiterando que está pronto para agir conforme necessário para garantir que a inflação permaneça no caminho de convergir para a meta de 2% no médio prazo.

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